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Análise: Embargo a frango brasileiro pela UE é 'pedra no sapato para obter vantagem'

© Jonas Oliveira/AENotíciasO Brasil vende aproximadamente 40% da carne de frango exigida pelo mercado mundial
O Brasil vende aproximadamente 40% da carne de frango exigida pelo mercado mundial - Sputnik Brasil
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Já estão em vigor desde quarta-feira (16) as restrições de exportação de frango provenientes de 20 frigoríficos brasileiros com destino à União Europeia. O embargo foi imposto por questões sanitárias, mas conversas relativas ao pagamento de uma "taxa de liberação" do produto levaram a suspeitas de possível decisão comercial e protecionista.

O bloco europeu alega ter encontrado dois tipos de bactéria salmonela (a Salmonella typhimurium e a Salmonella enteritidis) em carnes de frango in natura (aquelas que não passam por processamento e nem são salgadas antes de exportadas). A União, porém, admite aceitar o produto desta forma desde que os produtores e o governo brasileiro aceitem pagar uma taxa de € 1024, ou cerca de R$4400, por tonelada de frango.

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A decisão causou indignação e imediata reação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), para quem o embargo é muito mais uma questão comercial que sanitária. A entidade classifica a suspensão como "infundada" e "uma medida protecionista que não se ampara em riscos à saúde pública". "A Europa diz que é um problema sanitário, mas se você pagar o imposto, não é sanitário", disse o vice-presidente de Mercados da ABPA, Ricardo Santin, citado pelo veículo alemão Deutsche Welle.

A opinião é acompanhada pelo ‎vice-presidente da ‎Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco em entrevista exclusiva concedida à Sputnik Brasil. Para o economista, a UE coloca "uma pedra no sapato para obter vantagem".

"Existem mais de 2 mil tipos de salmonela, estamos falando de dois tipos específicos que não afetam o ser humano. Quando o frango é preparado assado ou cozido, elas desaparecem. Essa é uma informação que nos foi passada pelos veterinários", afirma.

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Sirimarco avalia que a decisão da União Europeia acontece na esteira dos desdobramentos da Operação Trapaça, terceira fase da Operação Carne Fraca que desde o ano passado aborda irregularidades com grandes produtores de carne no Brasil. Coincidência ou não, dos 20 frigoríficos embargados, 12 pertencem à BRF, uma das empresas mais atingidas com as investigações.

Avaliando que os produtores e o governo brasileiro dificilmente concordarão com o pagamento da taxa exigida pela UE para liberação do frango, Sirimarco sugere que movimentações como esta dos europeus devem causar um efeito indigesto para Bruxelas: a aproximação do Brasil com o mercado asiático.

"Acabamos de fechar um acordo com a Coreia do Sul para a carne suína, uma negociação que vinha há mais de 10 anos. Provavelmente este será um dos principais destinos da carne suína brasileira. Não vamos deixar de exportar para a comunidade europeia, mas o grande consumidor é a Ásia, o maior parceiro comercial do Brasil hoje é a China", diz.

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Por meio de nota enviada à Sputnik Brasil, o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), estado onde está instalada a maioria das plantas embargadas, disse que desenvolve "estudos e negociações com entidades do setor produtivo e industrial para minimizar os impactos do embargo à exportação da carne de frango brasileira pela UE".

A organização também mencionou que "o setor avícola brasileiro atua com o compromisso de produzir de acordo com a legislação, nacional e internacional, que regula a sanidade e a qualidade dos produtos alimentícios" e que na avaliação dos sindicalistas, "o embargo pela UE é uma medida protecionista comercial e não se baseia em questões sanitárias".

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