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CIA: antecessor de Geisel, Médici 'devia ter consciência' de torturas e mortes na ditadura

© Foto / Divulgação / Presidência da RepúblicaGeneral Emilio Garrastazu Médici, presidente do Brasil entre 1969 e 1974
General Emilio Garrastazu Médici, presidente do Brasil entre 1969 e 1974 - Sputnik Brasil
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Na esteira da revelação de que o ditador Ernesto Geisel (1974-1979) tinha conhecimento e deu anuência ao assassinato de opositores da ditadura militar (1964-1985) no Brasil, outro documento da CIA poderia demonstrar que o seu antecessor também tinha conhecimento do que ocorria com a militância contrária aos militares.

De acordo com um memorando de 11 de fevereiro de 1971, o governo dos Estados Unidos acreditava que o general Emilio Garrastazu Médici, que ocupou a Presidência da República entre 1969 e 1974, "devia ter consciência da extensão da violência usada pelas forças de segurança brasileiras".

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"Ele [Médici] teve um papel pessoal em desarmar a polêmica sobre a tortura no último ano. Contudo, o reaparecimento da publicidade em torno da tortura pode danificar sua imagem seriamente", escreveu o então assessor do Conselho Segurança Nacional dos EUA, Arnold Nachmanoff, em trecho do documento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O relato do oficial estadunidense ainda pontua que "talvez, [Médici tenha] dado consentimento tácito em vez de enfrentar os elementos da linha dura nas Forças Armadas" durante aquele período. Três anos depois, um documento da CIA foi mais claro ao apontar que o sucessor dele, Geisel, tinha conhecimento e autorizou execuções de opositores.

O memorando de Nachmanoff tratava da situação do país às vésperas de uma visita que Médici faria ao então presidente dos EUA, Richard Nixon, em Washington, e como as denúncias cada vez maiores acerca das violações de direitos humanos cometidas pela ditadura brasileira poderia respingar sobre a Casa Branca.

"Relatos sobre o crescimento do uso de violência e tortura por oficiais brasileiros em sua campanha contra terroristas e subversivos tornaram-se mais frequentes nas semanas recentes após terem diminuído no último verão", acrescentou o assessor, cujo destinatário da mensagem era o secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger.

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O oficial ainda revela o uso cada vez maior de torturas extremas que evitavam que opositores fossem soltos – à época, sequestros de autoridades eram usados pela militância contrária aos militares como moeda de troca para a libertação de companheiros.

As denúncias do então cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, sobre a tortura de padres e freiras naquela época também teriam contribuído para a repercussão das denúncias dentro e fora do país, e isso também preocupava Washington, que tinha "mútuo interesse de proteger Médici e a imagem do governo do Brasil".

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