Aproximando Irã, Rússia e China: saída dos EUA do acordo nuclear cria uma nova aliança

© REUTERS / Carlos BarriaA staff member removes the Iranian flag from the stage after a group picture with foreign ministers and representatives of the U.S., Iran, China, Russia, Britain, Germany, France and the European Union during the Iran nuclear talks at the Vienna International Center in Vienna, Austria July 14, 2015
A staff member removes the Iranian flag from the stage after a group picture with foreign ministers and representatives of the U.S., Iran, China, Russia, Britain, Germany, France and the European Union during the Iran nuclear talks at the Vienna International Center in Vienna, Austria July 14, 2015 - Sputnik Brasil
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A saída dos EUA do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) nesta terça-feira fará o Irã a se unir à Rússia e à China, disse um especialista à Sputnik.

Falando para a Rádio Sputnik, Mohammad Marandi, especialista em estudos americanos da Universidade de Teerã, observou que a população do Irã ficou desapontada com a descisão de Washington, mas fato também ajudou a unir muitas pessoas no país.

"No Irã, as pessoas estão compreensivelmente irritadas", disse Marandi. "Nos últimos três anos, os Estados Unidos vêm violando repetidamente o JCPOA… enquanto falamos, mesmo antes do Trump sair do acordo, se eu quisesse enviar um dólar para o exterior ou receber um dólar do exterior… seria impossível".

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"O sistema bancário ainda não está conectado ao setor bancário global e isso ocorre porque os Estados Unidos estão proibindo e ameaçando bancos, seguradoras e grandes empresas de fazer negócios com o Irã. Então, antes mesmo disso, os EUA estavam violando [o acordo]", explicou Marandi.

"Eu acho que, ironicamente, Trump uniu os políticos iranianos… eles chegaram a um acordo sobre como lidar com os Estados Unidos, que é simplesmente parar de negociar".

Ao comentar a pouca repercussão na imprensa sobre as reações do Irã a respeito do anúncio de Trump na terça-feira, Marandi afirmou não estar surpreso com a mídia ocidental.

"Não estou surpreso [com a falta de relatórios], geralmente é assim: o Irã raramente tem voz", disse ele. "É sempre uma discussão unilateral quando se trata do Irã".

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Marandi também disse que o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, que desempenhou um papel importante no acordo de 2015, era na verdade apenas mais uma figura americana a atirar o Irã para baixo do ônibus.

"Pessoalmente, acho que Obama queria ter seu pedaço do bolo… ele queria ter um acordo, mas ele queria continuar a minar o Irã. Acho que é apenas um padrão geral quando se trata do Irã e dos Estados Unidos", disse Marandi. 

"Eu acho que Trump está empurrando o Irã, a Rússia e a China mais para perto um do outro. Eu não tenho muita confiança nos europeus criando pernas próprias em breve… mas os russos e os chineses são parceiros muito mais confiáveis ​​para o Irã", acrescentou o especialista. Segundo ele, a Europa, temendo a ira dos EUA, se fechará para o país do Oriente Médio.

"Os interesses dos EUA ficarão prejudicados mais do que os de qualquer um", concluiu.

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