'Destino pior do que a morte': EUA estão preocupados com Tomahawk capturados pela Rússia

© AFP 2022 / US NavyMíssil de cruzeiro Tomahawk durante teste de voo controlado sobre o Comando de Sistemas Aéreos Navais (NAVAIR) no sul da Califórnia
Míssil de cruzeiro Tomahawk durante teste de voo controlado sobre o Comando de Sistemas Aéreos Navais (NAVAIR) no sul da Califórnia - Sputnik Brasil
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Um destino pior do que a morte espera pelos mísseis Tomahawk que os EUA usaram para atacar a Síria e que foram entregues praticamente intactos a Moscou pelas tropas do país árabe, afirmou o jornalista Joe Pappalardo em artigo publicado pelo portal Popular Mechanics.

O Ministério da Defesa da Rússia apresentou fragmentos de dois mísseis que foram lançados pelos EUA contra a Síria em 14 de abril. Sergei Rudskoy, coronel-general do Estado-Maior da Rússia, disse que os dados recebidos depois de uma investigação minuciosa dos Tomahawks podem ser usados para melhorar as armas russas.

Em seu artigo, Pappalardo faz uma previsão de qual será o destino dos mísseis capturados.

"Um destino pior do que a morte espera pelo material de guerra que foi recuperado intacto no campo de batalha. A disputa entre engenheiros russos e norte-americanos não se encerrou com a Guerra Fria", sublinha o autor do artigo.

Pappalardo lembrou que há um ano jornalistas da Popular Mechanics visitaram o laboratório da segunda maior empreiteira do mundo, a BAE Systems, localizada em Hampshire, Reino Unido.

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Nesse laboratório, engenheiros britânicos trabalham para desenvolver métodos para neutralizar mísseis inimigos. Essa visita à BAE Systems revelou aos jornalistas como o material de guerra capturado em um campo de batalha pode se tornar "um ativo de inteligência".

Segundo Pappalardo, a BAE não compra sistemas antiaéreos da Rússia ou da China. Eles trabalham com os mísseis capturados no campo de batalha pelos serviços de inteligência dos EUA e seus aliados e em seguida os entregam à empresa britânica. Esses mísseis são então expostos a uma série de testes prolongados.

"Os mísseis capturados também são usados como cobaias", explica Pappalardo.

O jornalista ressalta que a Rússia tem laboratórios semelhantes aos da BAE, onde pesquisadores russos podem examinar antenas de comunicação intactas dos Tomahawks e testar a resistência de seus próprios sistemas de defesa em relação à tecnologia dos EUA.

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Além disso, os engenheiros russos são capazes de provar o quanto as antenas são vulneráveis a inferências. Os dados dos motores, por sua vez, podem ajudar a aprender a detectá-los com luz infravermelha.

Pappalardo salientou que todos os mísseis disparados possuem um design que impede a revelação de muitas informações relevantes se o projétil aterrissar intacto em território inimigo.

"No entanto, há peças dentro de mísseis modernos que um inimigo inteligente pode usar […] Apesar disso, o valor real de um míssil capturado não é que o inimigo fabrique um míssil similar, o valor real é que, depois de estudá-lo, o adversário pode encontrar um modo de interceptá-lo", esclareceu o jornalista.

Exemplificando, Pappalardo mencionou uma lição de história. Em 1998, seis mísseis Tomahawk caíram no Paquistão durante um ataque perpetrado contra bases operadas por Osama Bin Laden. Depois desse incidente, cientistas paquistaneses e chineses estudaram esses mísseis minuciosamente e usaram os dados que conseguiram coletar em seus próprios programas de armas.

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