'EUA têm o vício de aplicar sanções, mas esta política criminosa não pode durar sempre'

© AP Photo / Ebrahim NorooziTeerã comemora acordo nuclear
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O Irã pode vir a sair do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) se o presidente Donald Trump abandonar o acordo nuclear iraniano, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Shamkhani. Analista aponta qual a probabilidade de Teerã dar este passo.

Segundo Alexander Azadegan, cientista político norte-americano de origem iraniana, professor de geopolítica da Universidade da Califórnia, o Irã vai cumprir sua promessa, mas, além dos EUA, ninguém quer tal cenário.

"Se os EUA cumprirem a ameaça, o Irã sairá do TNP e exigirá que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retire seus inspetores e câmeras das instalações nucleares iranianas. Porém, a Europa não está pronta para este cenário nem quer perder as vantagens que o acordo nuclear iraniano trouxe. A UE é contra a saída do Irã do TNP", opinou Azadegan à Sputnik Persa.

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O analista lembra que Washington começou a pressionar o Irã ainda durante a administração de Barack Obama, quando a Casa Branca introduziu um embargo ao petróleo iraniano. Desta maneira, a reação atual de Teerã se deve às atividades de políticos como o premiê israelense Benjamin Netanyahu, que tentam "demonizar" o Irã. Teerã, por sua parte, quer apenas dizer que não tenciona negociar mais sobre seu programa nuclear, sublinha Azadegan.

O especialista admite que as sanções norte-americanas afetaram gravemente a economia iraniana, mas Teerã não abandonará sua posição. A situação é ainda mais dificultada pela atitude do atual presidente estadunidense, Donald Trump, que age unilateralmente e já declarou que os EUA podem sair do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês, conhecido como acordo nuclear do Irã).

"O presidente dos EUA não presta atenção a seus parceiros europeus, seguindo as instruções do lobby israelense em Washington. A Europa não deseja mudanças no regime iraniano, mas sim estabilidade política e económica para fazer investimentos duradouros neste país. Trump não o quer, pois os EUA têm o vício de aplicar sanções, mas esta política criminosa não pode durar sempre", sublinhou o analista em entrevista à Sputnik.

Desde o início, os EUA não gostavam muito do acordo com o Irã, tentando mudar o regime do país, lembra Azadegan. Agora, eles usam o tema dos mísseis para criticarem o acordo iraniano. No entanto, estas críticas são ilegítimas.

"O acordo diz claramente que os mísseis não podem carregar ogivas nucleares. O Irã está cumprindo estes requisitos. […] o país entregou 11,3 mil quilogramas de material nuclear, incluindo urânio enriquecido a 20% à Rússia, embora, segundo o acordo, devesse ter entregado apenas 29,9 quilogramas de urânio de 3,5%. O Irã mostrou ao máximo as suas boas intenções ao cumprir o JCPOA."

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No momento, cada vez mais liberais e reformadores iranianos não acreditam nas promessas dos EUA, achando que Washington "não é um parceiro em quem se possa confiar ", frisa o especialista norte-americano.

Quanto à presença do Irã na Síria, esta se enquadra no acordo de amizade e cooperação entre os dois países.

Segundo o acordo, o Irã pode ajudar militarmente a Síria em caso de uma agressão militar por parte da Arábia Saudita, países do golfo Pérsico ou Daesh, detalha o cientista político, então "as críticas ocidentais ao Irã não passam de mera propaganda", conclui Azadegan.

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