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‘Discussões sobre a Venezuela enfraquecem pauta da Cúpula das Américas’, diz especialista

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Lima, capital do Peru, sedia nesta sexta-feira, 13, e no sábado, 14, a 8ª Cúpula das Américas . O tema principal é "a governabilidade democrática frente à corrupção” mas, diante das preocupações generalizadas com a Venezuela, existe a tendência constatada por vários analistas de que a pauta poderá se esvaziar.

Esta é a tese do professor de relações internacionais Pedro Costa Júnior, da Faculdade de Campinas (Facamp) e das Faculdades Rio Branco, em São Paulo. Em entrevista à Sputnik Brasil, Costa Júnior falou sobre o isolamento a que o governo do presidente Nicolás Maduro está sendo relegado embora não descarte ênfase sobre o projeto original de combate à corrupção:

"As discussões em torno da Venezuela têm tudo para esvaziar a pauta da Oitava Cúpula das Américas. O tema tem tudo para se transformar no centro das atenções. Outro tema que deve merecer muitas atenções é o do combate à corrupção mas a grande preocupação deve mesmo recair sobre a Venezuela, o que, sem dúvida, esvazia a pauta do encontro."

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Outro fator que, no entender do professor da Facamp contribui para o enfraquecimento da relevância do evento é a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representado pelo seu vice, Mike Pence. No início da semana, Trump anunciou o cancelamento de sua viagem a Lima, alegando que precisava acompanhar, em seu país, os desdobramentos da crise envolvendo as acusações ao governo da Síria de ter usado armas químicas contra a cidade de Douma no último final de semana. Nas palavras de Pedro Costa Júnior, a ausência de um líder dos Estados Unidos numa Cúpula das América, é fato absolutamente inédito:

"O item que me parece o mais importante nesta Oitava Cúpula das Américas é justamente uma ausência, a do mais poderoso chefe de governo das Américas e talvez do sistema internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representado no evento pelo seu vice, Mike Pence. Desde que a Cúpula das Américas foi criada por Bill Clinton em 1994, em Miami, nunca um presidente dos Estados Unidos ficou fora de uma reunião desse porte. Então, é significativa a ausência do presidente dos Estados Unidos."

No encontro de dois dias que acontece em Lima, duas propostas sobre a Venezuela estão em debate: a do presidente da Argentina, Maurício Macri, sustenta que todos os governos participantes da Cúpula das Américas devem, ao final do encontro, subscrever um documento contendo rígidas restrições ao regime venezuelano; e a proposta do presidente do Brasil, Michel Temer, é a de que a OEA (Organização dos Estados Americanos) assuma este papel. Para Costa Júnior, a proposta vitoriosa deverá ser a argentina:

"Com o vazio geopolítico que tomou conta do Brasil e com a perda de prestígio internacional do país, quem parece estar assumindo o protagonismo político na América do Sul é a Argentina com o presidente Maurício Macri cujas ideias parecem ser bem assimiladas pelos Estados Unidos. Com o vice-presidente Mike Pence, os Estados Unidos se fizeram presentes na Argentina mas, desde que Donald Trump assumiu o poder, ainda não realizaram visita oficial ao Brasil. Desse modo, é considerável pensar que os Estados Unidos apoiem a proposta da Argentina contra a Venezuela. Por outro lado, devemos lembrar que existe uma organização que já se revelou capacitada a intermediar as relações dos países sul-americanos com a Venezuela, a Unasul, a União de Nações Sul-Americanas, formada por doze estados e cuja atuação tem-se pautado por grande equilíbrio."

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De todo, Costa Júnior não descarta o envolvimento direto da OEA em relação ao governo venezuelano de Nicolás Maduro:

"A OEA também é uma opção a ser considerada em relação à Venezuela. A Organização dos Estados Americanos tem respaldado decisões da Unasul e, nesse sentido, a proposta brasileira pode ser levada em conta."

Para o especialista, não há dúvidas de que Maduro sofre um processo de isolamento com a perda de apoios e parcerias importantes entre os governos latino-americanos:

"Nicolás Maduro está cada vez mais só na América Latina. O chamado eixo bolivariano se enfraqueceu e os apoios que ainda recebe vêm, sobretudo, de Cuba, Bolívia e, de alguma forma, o Uruguai. Maduro perdeu apoios importantes que tinha em países como Brasil, Argentina, Equador, o próprio Peru, e hoje se vê à beira de um isolamento."

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