Xadrez do Oriente Médio: reconhecer Israel como Estado faz parte do projeto contra Irã?

© AFP 2022 / STR / Vahidreza AlaiA bandeira do Irã em frente do foguete Safir Omid antes do seu lançamento (foto de arquivo)
A bandeira do Irã em frente do foguete Safir Omid antes do seu lançamento (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Autoridades da Arábia Saudita reconheceram pela primeira vez o direito de Israel de existir no território da "pátria histórica" dos judeus. Mohammad bin Salman, durante visita aos EUA, expressou apoio aos esforços israelenses e foi além: qualificou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, como "Hitler" do Oriente Médio.

A Sputnik Persa entrevistou o cientista político e diplomata iraniano, Seyyed Hadi Afghahi, para entender o porquê das recentes declarações do príncipe herdeiro saudita, bem como para se situar no impacto do passo empreendido por Riad sobre a situação na região.

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"Sabe-se que a Arábia Saudita e o Irã são adversários. Sauditas acreditam que o Irã interfere nos assuntos internos da região e visa expandir sua influência. Enquanto isso, as ações da Arábia Saudita violam regras internacionais e não trazem nada de bom para a região, como, por exemplo, o apoio aos grupos terroristas na Síria e no Iraque. Contudo, seria bom que todas as tentativas da Arábia Saudita de acusar o Irã de apoiar terroristas acabassem falhando", comentou o analista.

O especialista assinalou que as vitórias da aliança, formada pelo Irã, Síria e Hezbollah, chamada Frente de Resistência, e as vitórias da Rússia na Síria preocuparam a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, EUA e OTAN.

"Além disso, a derrota dos sauditas assustou Israel, já que Israel prestava apoio aos terroristas na luta contra a Síria, contribuindo para a desestabilização da situação na região […] É natural que a Arábia Saudita e Israel sintam que tanto suas posições na região, como seus interesses estejam ameaçados", explicou Seyyed Afghahi.

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Segundo ele, ao longo de 56 anos, a Arábia Saudita manteve contatos clandestinos com Israel sem ao menos querer torná-los públicos, diferentemente de Israel.

"Divulgar contatos beneficiaria Israel: ao afirmar que a Arábia Saudita não tem problemas com Israel, o país, em que se encontram centros sagrados para muçulmanos por todo o mundo, Tel Aviv encorajaria outros países muçulmanos a passar a estabelecer relações diplomáticas com ela. Nesta situação, a Arábia Saudita passou a ocupar uma postura aberta: saiu da clandestinidade […] e a nível oficial reconheceu o direito de Israel de existir", destacou.

O analista iraniano assinalou também que, em breve, devido ao medo das monarquias do golfo Pérsico de perderem suas posições na região, a Arábia Saudita e Israel começarão a reforçar suas relações diplomáticas.

"Está claro que o motivo de aproximação entre a Arábia Saudita e Israel é a ameaça política e estratégica que surgiu para a Arábia Saudita na região. Atrás destes dois países estão os EUA, cuja presença afeta a região de forma negativa. A declaração do presidente Donald Trump sobre a breve retirada de suas forças da Síria foi bem surpreendente e inesperada."

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Falando sobre provável estabelecimento das relações diplomáticas entre Tel Aviv e Riad, o especialista revelou alguns detalhes do projeto anti-iraniano, chamado "Acordo do Século":

"Acredito que, daqui a pouco, a Arábia Saudita vá declarar oficialmente suas relações com Israel. Contudo, Riad vai além: o reconhecimento pela Arábia Saudita do direito de Israel existir faz parte do projeto ‘Acordo do Século’ contra o Irã e contra a 'Frente de Resistência'. Os encontros realizados entre o príncipe árabe e Israel a alto nível entram neste acordo", disse o analista.

Segundo Afghahi, o primeiro passo foi dado por Trump ao afirmar que os EUA vão transferir a embaixada norte-americana a Jerusalém. O segundo passo é o estabelecimento de laços entre a Arábia Saudita e Israel, já que os dois países tencionam juntar suas forças contra o Irã.

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"Outra parte deste plano covarde é a criação de uma cidade industrial no deserto do Sinai, onde no futuro seria possível acomodar palestinos. E, por fim, está sendo estudada a possibilidade de criação de uma frente unida composta pelos EUA, Arábia Saudita e Israel, contra a 'Frente de Resistência'." 

Quando perguntado se os passos empreendidos pela Arábia Saudita receberão apoio internacional, para o especialista, a resposta é óbvia.

"Este projeto não tem apoio mundial."

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