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Preservativo com rainha medieval desencadeia 'guerra' na Geórgia (FOTOS)

CC0 / National Bank of Georgia / Cédula georgiana com imagem da rainha Tamara
Cédula georgiana com imagem da rainha Tamara - Sputnik Brasil
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Nenhuma imagem do líder soviético Josef Stalin ou do presidente Vladimir Putin conseguiu desencadear na Geórgia um escândalo similar ao que o país está vivendo agora por culpa de preservativos.

Os preservativos fabricados pela empresa georgiana Aiisa são os responsáveis pela indignação de muitos georgianos, pois em suas embalagens há personagens históricos como a rainha Tamara da dinastia Bagrationi, que governou a Geórgia entre 1184 e 1213.

CC0 / Wikipedia / Tamara, rainha da Geórgia
Tamara, rainha da Geórgia - Sputnik Brasil
Tamara, rainha da Geórgia

Como se não bastasse, a embalagem do preservativo vem com um texto ainda mais atrevido: "A porta do palácio da rainha Tamara."

O problema é que a rainha Tamara não é apenas uma personagem histórica, mas também uma santa, glorificada tanto pela igreja Ortodoxa georgiana como pela russa.

Alguns georgianos indignados pelos preservativos ultrajantes protestaram no fim de março perto do parlamento, na cidade de Kutaisi, tendo sido convocados pelo Partido Trabalhista Georgiano.

"Foram ofendidos os sentimentos pessoais, religiosos e nacionais dos membros de nossa organização política, foram provocados discórdia e conflito civil no país, tensões e distúrbios […] Exigimos proibição imediata da empresa", declarou o líder do partido, Georgui Liluashvili.

A própria fundadora da Aiisa, Anania Gachechiladze, de 23 anos, está atendendo ao enorme interesse da imprensa por seus produtos originais.

A empresa está operando no mercado local há mais de um ano. Apesar de custar caro – mais de 1,5 dólar (cerca de R$ 5) pela unidade – os produtos da Aiisa são populares até mesmo entre turistas. Além da rainha Tamara, os preservativos mostram os rostos de Lenin, Stalin, Putin e Batman.

O colunista da Sputnik Geórgia, Goga Vardziely, declarou que a ideia dos preservativos não tem nada a ver com a política ou com uma determinada ideologia, trata-se de uma simples estratégia comercial.

"A rainha Tamara, falando em uma língua moderna, é uma marca. Além disso, segundo alguns dados, é uma marca mais reconhecível no espaço informativo e publicitário internacional relacionado à Geórgia", disse ele.

'Era dourada da história georgiana'

O período em que governou a rainha Tamara é considerado a Idade de ouro da história georgiana. Tamara continuou a política externa de seu antecessor, David IV da Geórgia, e conquistou Tabriz, Erzurum e outros territórios. Em 1213, a Geórgia ocupava um território quase três vezes maior que o atual.

© Sputnik / Tunkel / Abrir o banco de imagensRainha Tamara e seu pai, rei Jorge III, no mosteiro das Cavernas de Vardzia
Rainha Tamara e seu pai, rei Jorge III, no mosteiro das Cavernas de Vardzia - Sputnik Brasil
Rainha Tamara e seu pai, rei Jorge III, no mosteiro das Cavernas de Vardzia

Além disso, a rainha Tamara contribuiu para difusão do cristianismo na Geórgia e para construção de igrejas e mosteiros. Sua corte reuniu todos os gloriosos escritores que consolidaram o idioma georgiano.

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