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'Eu que estou errada?', questiona jornalista assediada durante cobertura esportiva

© Arquivo pessoal / InstagramAline Nastari, jornalista do Esporte Interativo e participante da campanha Deixa Ela Trabalhar
Aline Nastari, jornalista do Esporte Interativo e participante da campanha Deixa Ela Trabalhar - Sputnik Brasil
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Cerca de 50 jornalistas mulheres de várias emissoras de todo o Brasil que atuam na área esportiva se uniram em um manifesto contra o machismo e o assédio moral e sexual que sofrem dentro e fora dos estádios e arenas de esporte, exigindo respeito ao seu trabalho e ao seu direito de ir e vir.

A campanha, intitulada "Deixa Ela Trabalhar", foi motivada principalmente pelos recorrentes casos de desrespeito a profissionais de canais de TV e rádio durante a cobertura de partidas de futebol. Renata de Medeiros, da Rádio Gaúcha, Bruna Dealtry, do Esporte Interativo (EI), Kelly Costa, do Sport TV, e muitas outras, de diversas mídias, sentiram na pele recentemente o peso de trabalhar em meio a tantos homens de pensamento retrógrado e atitudes condenáveis. Mas, se depender delas, essas práticas estão com os dias contados.

Uma das participantes do movimento, Aline Nastari, também do Esporte Interativo, conversou com a Sputnik Brasil sobre a importância de discutir e expor esses casos de falta de respeito e abuso. Abuso do qual ela mesma já foi vítima, quando um torcedor tentou beijá-la à força durante uma transmissão ao vivo. 

Segundo Aline, a campanha, que começou a partir de um grupo no WhatsApp, tem como lema o "basta", pretendendo deixar claro que o preconceito, o tratamento diferente dado às mulheres no jornalismo esportivo não será mais tolerado.

"O que a gente viu, no geral, é que todo mundo se oprime muito, todas nós passamos por situações como essas e as guardamos para si, internalizando", explicou, dizendo já ter passado por vários casos de desrespeito. "A gente tenta passar por cima e continuar seguindo, e quem sofre no final das contas somos todas nós, e sem expor isso".

 

Nastari destaca que a aceitação das mulheres como profissionais do jornalismo esportivo tem evoluído de forma seletiva, com muitos obstáculos surpreendentes e desagradáveis. Para ela, a melhor forma de avançar nessa questão ainda é através da conscientização.

"A gente entende que é uma coisa muito enraizada na nossa sociedade, a gente vê que, de fato, isso é uma coisa difícil. É muito cultural."

Boa parte do preconceito sofrido pelas jornalistas e repórteres, como relata a funcionária do EI, ocorre dentro das próprias redações, por parte de colegas do sexo oposto. 

"Eu me lembro muito bem que quando eu saí do ar, eu comecei a chorar, porque era uma situação de impotência, eu não sabia o que fazer, fiquei muito mal", conta ela, relembrando um caso de assédio sofrido. "E muitos colegas meus me disseram: 'por isso que mulher não pode fazer esse tipo de pauta, por isso que mulher não pode estar na rua'. Isso me machucou. Poxa, eu que estou errada?", questiona a repórter. "Por isso que eu digo que a conscientização é importante também para os nossos colegas de profissão". 

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