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Agora o bicho pega: BOPE e Polícia Civil vão receber blindados do Exército

© DivulgaçãoUrutu, que será repassado ao Bope, foi usado pela missão de paz brasileira no Haiti
Urutu, que será repassado ao Bope, foi usado pela missão de paz brasileira no Haiti - Sputnik Brasil
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O Exército vai entregar nesta quarta-feira (27) seis blindados à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, como parte do reforço e reaparelhamento da frota. Três Urutus serão entregues ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e três “Caveirões” à Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil.

Os equipamentos, adaptados e potencializados, se somam assim à entrega, na semana passada, de 100 fuzis T4 e 100 mil munições calibre 466 à Polícia Militar, avaliados em R$ 1,5 milhão. 

Os Urutus começaram a ser fabricados pela Engesa em 1974 e foram exportados para vários países da América Latina e do Oriente Médio. O veículo possui duas camadas de blindagem, é armado com uma metralhadora calibre 12,7 milímetros montada sobre o teto e pode transportar de 12 a 14 soldados totalmente equipados com acesso através de portas laterais e traseira. Ele foi usado com sucesso pelas Forças Armadas brasileiras durante as missões de paz da ONU (Minustah) no Haiti.

O "Caveirão", oficialmente denominado  veículo blindado de transporte de pessoal, não é propriamente um veículo de combate, mas de apoio às operações. O apelido surgiu em decorrência da pintura do logotipo do BOPE nos veículos: uma caveira com uma adaga encravada e garruchas douradas cruzadas.

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Os "Caveirões" começaram a ser utilizados na África do Sul entre 1948 e 1994 como forma de repressão do regime segregacionista. Levantamento realizado pela Secretaria de Segurança do Rio revela que o uso desses blindados reduziu pela metade as mortes de policiais nas operações contra o crime organizado. Com peso de 10 toneladas, ele pode transportar até 13 homens e atingir velocidade máxima de 120 km/h. Os novos modelos resistem a explosões de minas e a tiros de fuzis de 7.62 mm, 12 mm e mesmo de calibre ponto 50. São dotados de câmaras externas e sistema de extintor automático.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Robson Rodrigues, coronel da reserva da Polícia Militar do Rio e pesquisador de segurança pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), elogia a doação dos blindados, mas observa que isso, por si só, não vai resolver os desafios que a intervenção federal no Rio tem pela frente.

Com a experiência de quem comandou o Estado-Maior da PM no Rio e foi coordenador do trabalho de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Rodrigues é enfático:

"Deveríamos não apenas receber recursos, mas ter um plano de reformulação das políticas de segurança pública. Uma das principais falhas da segurança pública é a falta de inteligência e os baixos índices de solução de crimes. Somente o equipamento sem incentivo à estratégia e sem uma liderança para executar esse plano pode piorar os índices de violência, inclusive a policial", analisa o coronel.

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O ex-chefe do Estado-Maior da PM explica que as principais diferenças entre os blindados doados pelo Exército dizem respeito às aplicações táticas e ao tipo de equipamento de cada um. Segundo ele, o Urutu é muito mais potente em termos de armamento e ação repressiva, enquanto o uso do "Caveirão" tem mais como objetivo proteger a vida dos próprios policiais. Rodrigues observa, porém, que o emprego desse blindado deve ser bem medido, uma vez que, por sua natureza, ele acaba se tornando alvo de tiros de grosso calibre, o que põe em risco a comunidade local. O oficial enfatiza que, mais do que receber equipamentos, o combate ao crime no Rio é muito mais amplo e abrange várias esferas. 

Para Rodrigues, a decretação da intervenção federal teve conotação política que visou a fortalecer o cacife político do presidente Michel Temer, que agora admite concorrer à presidência nas eleições de outubro. Para o oficial, esse uso político por parte do então governador Sérgio Cabral foi o que determinou o fracasso das UPPs que se expandiram em demasia sem que fossem feitos os devidos estudos técnicos necessários. O risco da intervenção, segundo ele, é as ações não diminuírem os índices de criminalidade, o que criaria um sério sentimento de frustração por parte da população.

"Não acredito que vamos ter condições de mexer nessas questões mais estruturais. Podemos ter aqui e ali alguma melhora pontual, mas esses problemas vão ser empurrados como foram pelo governo do Estado. Os generais e o Exército estão com uma encrenca muito grande. Na minha percepção, eles não estão muito à vontade nessa situação", finaliza o coronel Rodrigues.

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