Krasnopol vs Excalibur: que projéteis de artilharia são mais precisos e eficientes

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A artilharia dos maiores exércitos do mundo está se equipando cada vez mais com munições de alta precisão. Recentemente, o Ministério da Defesa da Rússia publicou um vídeo do lançamento de projéteis Krasnopol em um polígono da região de Leningrado. O colunista da Sputnik, Vadim Saranov, analisa em seu artigo a evolução de tal tipo de armas.

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O primeiro projétil de artilharia guiado na história, o Copperhead de 155 mm norte-americano, entrou no serviço do Pentágono em 1982. Seu análogo soviético, Krasnopol de 152 mm, começou a ser produzido em massa quatro anos depois. Os projéteis tinham caraterísticas e princípios de orientação semelhantes.

No trecho intermédio da trajetória o voo era controlado por um sistema de inércia, porém, perto do fim do caminho se ativava uma cabeça guiada a laser. Entretanto, a experiência mostrou que tal conceito estava relacionado com inúmeras desvantagens, pois podia apenas atingir alvos que fossem visíveis para o operador da estação de marcação por laser.

"Claro que os projéteis com pontaria por laser têm restrições, mas são precisamente eles que garantem um ataque mais preciso", disse à Sputnik o editor-chefe da revista Arsenal Otechestva, Viktor Murakhovsky. "Além disso, o laser não necessariamente deve ser portado, ele pode ser instalado em pontos de reconhecimento móveis, como helicópteros ou até drones", adiantou.

Porém, nos finais da década de 90 as opiniões sobre o desenvolvimento dos projéteis guiados se dividiram. Se os especialistas russos continuaram a desenvolver o Krasnopol a laser, os norte-americanos se empenharam na tecnologia de navegação por satélite.

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Em 2006, o Pentágono apresentou o projétil M982 Excalibur, comandado através do sistema GPS. A experiência de seu uso no Iraque encorajou bastante os generais norte-americanos, pois 92% dos projéteis caíam em um raio de 4 metros em redor do alvo com uma distância de disparo de até 40 km. Já as modificações mais recentes do Excalibur têm um alcance de 57 quilômetros.

Além disso, o GPS libertou os projéteis guiados da dependência de condições climáticas, pois os projéteis mais obsoletos, por exemplo, não conseguiam ver o alvo com neblina ou fumaça. Entretanto, vários especialistas acreditam que o Excalibur tem um defeito que pode anular todas as vantagens da arma.

"A orientação por satélite das armas de alta precisão permite resolver apenas tarefas policiais", explicou Aleksei Levchenkov, chefe de uma empresa produtora de sistemas de navegação. "Se houver resistência sob forma de guerra eletrônica, podemos descartar o satélite. Neste caso, restam apenas duas maneiras de orientação — ou os meios inerciais, ou a iluminação do alvo", explicou.

Outra desvantagem dos projéteis guiados por satélite é que eles não atingem os alvos em movimento, enquanto o Krasnopol elimina alvos do adversário que se desloquem à velocidade de até 36 km/h.

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Para mais, o maior defeito de todos os projéteis guiados é seu preço, que não permite equipar com eles toda a artilharia.

Entretanto, os especialistas concordam que os projéteis guiados não só permitem economizar munições, mas também aumentam a capacidade de sobrevivência da artilharia. Deste modo, o Krasnopol reduz significativamente o período de realização de uma ação de combate, reduzindo deste modo o risco de um ataque de retaliação.

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