EUA teriam tido acesso à substância alegadamente usada para envenenar ex-espião russo?

© REUTERS / Peter NichollsPoliciais britânicos examinando o banco onde o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha foram encontrados inconscientes, Salisbury, Reino unido, 8 de março
Policiais britânicos examinando o banco onde o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha foram encontrados inconscientes, Salisbury, Reino unido, 8 de março - Sputnik Brasil
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Quase 20 anos atrás, o Departamento de Defesa dos EUA esteve envolvido no desmantelamento de um instituto de investigação química na antiga república soviética do Uzbequistão, onde fora testado o agente neurotóxico Novichok, com o qual o ex-espião russo Sergei Skripal teria supostamente sido envenenado no Reino Unido.

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De acordo com um artigo do New York Times publicado em 1999, os Estados Unidos cooperaram estreitamente com a antiga república soviética de Uzbequistão para descontaminar o instituto de pesquisas químicas na cidade de Nukus, descrito pelo jornal norte-americano como "uma das maiores instalações da antiga URSS para testar armas químicas".

O artigo diz que o Pentágono planejava destinar seis milhões de dólares para desmilitarizar a instalação de Nukus.

"Desertores soviéticos e autoridades norte-americanas dizem que a fábrica de Nukus era o maior lugar de pesquisas e testes de uma nova classe de armas químicas secretas e de alta letalidade, chamadas 'Novichok', o que significa em russo 'novato'", sublinhou o jornal.

Segundo o New York Times, foi um dos cientistas do instituto, Vil Mirzayanov, quem afirmou pela primeira vez que a União Soviética produzia alegadamente armas químicas, violando as convenções internacionais.

A usina fora construída em 1986 propositadamente para testar a "arma química binária Novichok, desenvolvida para evitar ser detectada pelos inspetores internacionais".

Após ter se tornado independente da União Soviética, o então presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, decidiu renunciar às armas de destruição em massa por se preocupar com a saúde da população e o meio-ambiente.

"Desde então, o seu governo tem trabalhado estreitamente com representantes da Defesa dos EUA, concedendo-lhes acesso a lugares aonde seus colegas russos ainda não são admitidos", diz o New York Times.

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Em 12 de março, a premiê britânica, Theresa May, responsabilizou a Rússia pelo envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia Skripal, após estes terem sido encontrados inconscientes na cidade de Salisbury, Reino Unido.

Em resposta, Moscou reiterou que não apenas interrompeu a produção do gás neurotóxico Novichok, alegadamente usado para envenenar Skripal, mas também destruiu todos os seus estoques, o que foi confirmado por observadores internacionais da Organização para a Proibição de Armas Químicas.

O ex-agente secreto russo Sergei Skripal e sua filha teriam sido envenenados por uma substância tóxica em Salisbury, em 4 de março. Moscou rejeita veementemente todas as acusações.

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