Assad acabará da mesma forma que Hussein? Parece que é essa a estratégia estadunidense

© AFP 2022 / AHMAD AL-RUBAYEUm vendedor mostra um CD sobre o julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein na capital iraquiana, Bagdá, em 9 de abril de 2012
Um vendedor mostra um CD sobre o julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein na capital iraquiana, Bagdá, em 9 de abril de 2012 - Sputnik Brasil
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A Turquia tem que cooperar com o governo sírio e começar a realizar operações conjuntas para leste do rio Eufrates, onde os EUA planejam criar um "Estado fantoche" sob seu controle, acredita o general aposentado turco Naim Baburoglu.

Baburoglu considera que, caso os planos dos EUA se cumpram, este Estado se converterá em uma ameaça tanto para Ancara quanto para Damasco.

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"Os EUA e os membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) controlam os territórios situados ao leste do Eufrates. Aí Washington planeja criar um 'Estado fantoche', cujas chaves os EUA terão em suas mãos", assegurou o militar em uma entrevista à Sputnik.

Baburoglu destaca que a região escolhida pelos EUA tem uma grande importância estratégica para a Síria. Os territórios situados na margem leste do Eufrates ocupam 30% da extensão do país árabe e contam com 70% dos seus recursos energéticos.

Os EUA não aprovam a operação Ramo de Oliveira lançada pela Turquia em Afrin, pois eles não querem que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão sofra perdas na região, opina o interlocutor da Sputnik.

"Os EUA estão tentando proteger os terroristas [é assim que Ancara classifica o PKK] que criaram. Washington insiste que os curdos consolidem a defesa no centro de Afrin. O país quer que as Forças Armadas turcas percam tempo e fiquem enfraquecidas. Washington não está interessada em que a operação em Afrin acabe com sucesso", disse o entrevistado.

Baburoglu acredita que os EUA buscam impedir o avanço do exército turco para leste do rio Eufrates.

"Nesta fase, os interesses dos EUA colidem com os da Turquia, mas os países não chegarão a um confronto aberto. Os EUA colocarão diante das Forças Armadas da Turquia o PKK e o Partido da União Democrática que utilizam como forças mercenárias. O contingente dessas forças pode chegar até 60 mil soldados", disse o especialista.

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Baburoglu tem certeza que a Turquia deve continuar sua ofensiva para leste do Eufrates.

"Caso Ancara acabe caindo na armadilha dos EUA na Síria, a chamada 'zona de segurança', Washington conseguirá criar um semi-Estado terrorista na região", explicou.
Segundo Baburoglu, essa armadilha é semelhante à estratégia utilizada no Iraque no final dos anos 90. Na época, uma área de segurança foi criada no norte do país para defender a população curda na área. Posteriormente, a região anunciou sua decisão de realizar um referendo de independência.

"Se a Turquia mostrar seu consenso com a proposta dos EUA de criar uma ‘zona de segurança' na Síria, algo de semelhante ao que aconteceu no Iraque pode acontecer na Síria. Pelo mesmo motivo, Ancara deve necessariamente se manifestar contra e iniciar negociações com o governo sírio", ressaltou o general aposentado.
Baburoglu acredita que logo veremos como o Reino Unido, a França e Israel estão se manifestando contra as autoridades sírias.

"O Reino Unido e a França já se declararam prontos para efetuar um ataque se as armas químicas forem usadas em Ghouta Oriental. De que é que se trata nestas declarações? Pois de que a mesma estratégia que foi usada contra o presidente do Iraque, Saddam Hussein, pode ser usada contra Assad ", disse o especialista, que previu que a instabilidade na Síria continuará até 2030.

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Baburoglu liga essas previsões ao fato de movimentos tectônicos significativos estarem ocorrendo atualmente no Oriente Médio e a que os atores políticos globais "estão baralhando suas cartas" na região.

"Suponho que os EUA vão usar os territórios localizados ao leste do Eufrates como uma plataforma para lançar uma possível operação contra o Irã no futuro. Nessas condições, a Turquia deve aplicar uma política equilibrada e cooperar com a Rússia, Irã, Iraque e Síria. A existência de uma união defensiva […] tornará evidente e indiscutível a presença da Turquia na Síria", resumiu.

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