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Brasil planeja compartilhar estruturas de pesquisa com países dos BRICS

© Fred Loureiro/Secom-ES/Fotos PúblicasNavio oceanográfico Vital de Oliveira é um dos projetos que será compartilhado
Navio oceanográfico Vital de Oliveira é um dos projetos que será compartilhado - Sputnik Brasil
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O Brasil vai compartilhar cinco grandes iniciativas de pesquisa científica em grandes infraestruturas com os países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O objetivo é criar grupos de trabalho conjunto para estudo dessas iniciativas, fomentar o intercâmbio de pesquisadores e fomentar a publicação de trabalhos nesses países.

O primeiro passo acontecerá em março, em Campinas (SP), sede das instalações do Projeto Sirius, que abriga um conjunto de aceleradores de elétrons e estações experimentais e que está entre as obras civis mais sofisticadas já construídas no Brasil. Também serão compartilhados estruturas de pesquisa do Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do navio oceanográfico Vital de Oliveira, do Observatório de coleta de dados sobre a Floresta Amazônia e do supercomputador Santos Dumont, entre outras.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Álvaro Prata, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações (MCTIT) fala da importância dessa iniciativa.

"A parceria é motivada por uma série de demandas que o Brasil vem tendo de diferentes organizações internacionais para compartilhar suas grandes infraestruturas de pesquisas que requerem grandes investimentos e que distinguem os países, muitos que têm infraestruturas e que outros não têm e por isso nada melhor do que compartilhá-las para o avanço do conhecimento", afirma o secretário do MCTIT.

Prata lembra que em maio do ano passado houve uma primeira reunião na Rússia, onde foi proposto que fossem compartilhadas essas infraestruturas entre os cinco países. Ele diz que, em função do anel de luz Sincroton, que se encontra em fase final de construção em Campinas, o Brasil propôs que a segunda reunião do grupo acontece na cidade em março. Em função disso, o ministério decidiu criar um grupo de trabalho que vai apresentar e responder pela comunidade científica brasileira, classificando e qualificando nossas grandes infraestruturas.

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"Isso nos dá mais visibilidade, projeto ainda mais o Brasil nesse cenário  de ciência e tecnologia internacional, amplia a possibilidade que temos de trocar pesquisadores, de realizar projetos em conjunto, trocar alunos em fase de formação, realizar projetos mais grandiosos envolvendo colaboração com outros países", diz o secretário.

Com relação aos cortes orçamentários e aos contingenciamentos que vêm sendo anunciados pelo governo federal, a fim de perseguir a meta orçamentária, Prata reconhece que o setor passa por um momento de aperto, assim como outras áreas, como saúde e educação, mas vê as dificuldades como circunstanciais e passageiras, que serão resolvidas com a retomada do crescimento econômico. Segundo ele, o governo tem tido sensibilidade de desbloquear alguns recursos, como a recente liberação de R$ 200 milhões para a pasta.

 

Os projetos brasileiros

Projeto Sirius: é considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica construída no país e tem sede em Campinas (SP). Vai permitir a aceleração de partículas carregadas de energia próxima à velocidade da luz para uma série de experimentos.

Laboratório de Integração e Testes do INPE: inaugurado em 1982, tem como missão contribuir para autonomia do país em áreas estratégicas e desenvolver sua competitividade no mercado internacional. Trabalha na promoção de programas espaciais em cooperação com outros países.

Navio oceanográfico Vital de Oliveira: a embarcação de 3.500 toneladas é dotada dos mais avançados equipamentos de pesquisa marítima, equipada com veículo de operação remota que pode alcançar 4 mil metros de profundidade, além de estruturas capazes de localizar áreas de petróleo e gás. Possui a maior capacidade de pesquisas e exploração das riquezas da Amazônia Azul.

Torre Alta da Amazônia: inaugurada em 2015, a 150 quilômetros de Manaus, em plena selva, é uma parceria do MCTIC com o Instituto Max Planck de Química e Biogeoquímica e a Universidade do Amazonas. Operado pelo INPA, sua torre de 325 metros de altura monitora o clima na região por um período de 20 a 30 anos, medindo o fluxo de carbonos e aerossóis da vegetação.

Supercomputador Santos Dumont: Instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis (RJ), está na lista dos 500 supercomputadores mais potentes do mundo. Tem capacidade de realizar 1,1 bilhão de operações por segundo e tem atualmente mais de 40 projetos em andamento nas áreas de química, física, engenharia, ciências biológicas, meteorologia, ciências agrárias, astronomia, entre outras.

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