Lagartos e camaleões: quem está espiando instalações nucleares do Irã?

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Os agentes dos países ocidentais usaram répteis que "capturavam ondas atômicas" para monitorar o programa nuclear do Irã, segundo assegura Hassan Firouzabadi, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã e atual assessor militar principal do líder supremo do país.

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As suas declarações apareceram depois de Kavus Seyed Emami, um dos ecologistas presos em janeiro, ter-se suicidado na prisão.

"Há vários anos chegaram ao Irã pessoas que supostamente estavam coletando ajuda para a Palestina. Seu percurso [pedindo dinheiro por várias cidades] nos parecia suspeitosa. Dirigiam-se a áreas desertas. Tinham consigo répteis do deserto: lagartos e camaleões. Descobrimos que a pele dessas criaturas era susceptível à radiação nuclear e que estes animais são capazes de detectar a localização de minas atômicas e reatores nucleares. Quer dizer, estavam espionando e queriam saber onde no Irã ficam as minas de urânio e onde nos dedicamos a atividades nucleares", disse Firouzabadi.

A Sputnik Persa falou sobre o assunto com Vladislav Starkov, especialista em répteis do Instituto de Química Bioorgânica da Academia das Ciências da Rússia.

"Esta afirmação sobre as habilidades destes répteis parece muito ridícula. Depois de muitos anos de experiência científica na área de herpetologia, ouço isso pela primeira vez. Em primeiro lugar, os lagartos, em especial os camaleões, não poderiam viver muito tempo no Irã. O Irã não é um país tropical. E estes répteis de sangue frio buscam lugares quentes para viver, a maioria dos camaleões habita na parte sul do Omã. Não podem estar interessados nas minas frias de urânio", disse ele.

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Em segundo lugar, diz o especialista, é uma teoria absurda porque se se supuser que um réptil de alguma maneira possa sentir a atividade radioativa, aqui funciona o princípio contrário. Quer dizer, os répteis são menos susceptíveis a esta radiação, eles suportam doses maiores do que os mamíferos, inclusive as pessoas.

Além disso, os répteis devem transmitir de alguma maneira a informação coletada, mas não o podem fazer eles mesmos. Nesse caso deveriam ter alguns sensores instalados ou dispositivos especiais.

"Por isso tais conclusões sobre a capacidade dos lagartos serem espiões são ilógicas e de nenhuma maneira estão cientificamente fundamentadas", sublinhou Starkov.

Além disso, a pele dos lagartos, por exemplo, é composta por proteínas parecidas com as da pele humana, contendo queratina A e B. "Nenhum desses tipos de queratina tem a capacidade de absorver ou detectar urânio e outras substâncias radioativas", explicou o especialista.

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