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Opinião: Moscou e Ancara alteram ordem mundial existente

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Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan em Ancara - Sputnik Brasil
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A Turquia se aproxima cada vez mais da Rússia e ao mesmo tempo se afasta dos EUA. É a teoria que defende o jornal russo Vzglyad, comentando a crise síria.

"A morte heroica na Síria do piloto russo Roman Filipov gerou a nova onda de suspeitas em relação à Turquia. Há pessoas que dizem que poderiam ter sido os turcos a armar os jihadistas na província de Idlib com o mesmo sistema de mísseis antiaéreos que derrubou o Su-25 russo", afirmou Pyotr Akopov, o autor do artigo.

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Entretanto, a realidade é outra. Foi Ancara que ajudou a resgatar o corpo de Filipov das mãos dos terroristas para que pudesse ser repatriado.

"Muitos estão interessados em que a Rússia e a Turquia recomecem a se enfrentar", sublinhou Akopov. O analista lembrou que a última guerra entre a Rússia e a Turquia ocorreu há 100 anos e que agora, na Síria, onde ambos os países apoiam frações completamente opostas, tanto Ancara como Moscou "conseguiram chegar a acordo não apenas no que se refere às ações comuns, mas também no que respeita aos interesses que partilham ambos os países".

"Se as relações entre a Rússia e a Turquia passarem a prova da guerra síria, poderemos falar de relações fortes e sobre as boas perspectivas que abre a cooperação estratégica para ambos os países", declarou Akopov.

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Contudo, a pergunta é se os dois países estão preparados para esse cenário. Alguns analistas sublinham que as boas relações são exclusivamente fruto da decisão dos presidentes dos dois países, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, que veem como vantagem apostar no fortalecimento de suas relações e, através disso, obter concessões do Ocidente. Mas sem Putin e Erdogan, ou se as relações com o Ocidente mudarem, esses planos de relações fortes serão desfeitos.

Entretanto, para o analista, as relações com a Rússia e o Irã se tornam importantes para a Turquia do ponto de vista geopolítico. "As relações do trio formado pela Rússia, Turquia e Irã são determinadas não pelos desejos ou sentimentos de seus líderes, mas por interesses objetivos", opina Akopov.

Rússia e Turquia têm tantos projetos conjuntos (energéticos, regionais e geopolíticos) que "é absurdo que os dois países se recusem a construir relações que beneficiem ambos os países", disse o especialista.

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O descontentamento com a dependência da OTAN e as poucas perspectivas de sua adesão à União Europeia também contribuíram para o fortalecimento da cooperação com Moscou.

"A isso junta-se a entrega dos sistemas antiaéreos russos S-400, ou seja, a decisão turca de comprar esses sistemas, apesar da pressão norte-americana, uma ação que põe sobre a mesa a questão se a Turquia está se aproximando de tornar-se uma potência regional autossuficiente”, disse o analista.

Moscou, por sua vez, está interessada em uma Turquia independente e forte, não subordinada aos interesses da OTAN, concluiu Akopov.

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