Conheça Guido Piotrkowski, fotógrafo argentino e 'caçador entusiasta de carnavais'

© Foto / Guido Piotrkowski Carnaval
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Guido Piotrkowski é um fotógrafo e cronista argentino que, nos últimos 15 anos, dedicou-se a viajar pela América Latina para imortalizar seus carnavais.

"Cada carnaval tem seus traços e serve para preservar aspectos do patrimônio do país, para além da festa, álcool e loucuras, o carnaval é isso: a libertação, inverter os papéis, que as classes sociais se misturem, por isso me interessa o carnaval de rua, porque aí todos são iguais", explicou o fotógrafo.

Piotrkowski começou a viajar pelo mundo aos 18 anos; isto o levou a querer partilhar sua experiência em palavras e em imagens, e assim, há mais de uma década, ele publica crônicas de viagem e fotografias em várias mídias da Argentina e do exterior e destaca que o importante dos carnavais é preservar o "patrimônio cultural dos países".

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No final de 2003, ele decidiu ir morar no país do carnaval, no Brasil, para onde partiu com 10 rolos fotográficos e ficou por cinco anos.

Seu primeiro destino foi o Rio de Janeiro e chegou um mês antes de começarem as celebrações do Carnaval, por isso ele usou metade desses rolos para retratar a maior festa popular do país.

"Estava morando em um hotel horrível, na pior rua [da Lapa], no bairro mais boêmio do Rio, onde acabavam todos bêbados na última hora da noite e da manhã você se levantava e tinha um cheiro horrível, esta é a parte mais divertida do Rio", contou o fotojornalista.

Naquele momento, se bem que tenha publicado algumas fotos em revistas de viagens, se dedicava a fotografar turistas que realizavam passeios de barco.

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"Eu decidi sair para fazer cobertura do carnaval de rua, que é o que mais me interessa do Carnaval, a essência, a rua, no Rio há muitos "blocos" de rua, que são parte da identidade carioca do Carnaval", conta Piotrkowski à Sputnik Mundo.

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Essas festas são diferentes de tudo o que acontece no sambódromo, a instalação onde se realizam os desfiles das escolas de samba, que com base em um tema criam seus trajes e decoram carros alegóricos.

"O sambódromo é muito mais marqueteiro e para a televisão, além de o trabalho realizado pelas escolas de samba do sambódromo ser incrível, com músicos e bailarinos brilhantes, o carnaval de rua é algo mais amador, uma questão de amigos, vizinhos, intelectuais, músicos, grupos que se preparam mais espontaneamente e, em seguida, saem todos os anos pela cidade", contou o cronista.

Depois do Rio se seguiu em 2005 o carnaval de Olinda, no estado de Pernambuco, em uma cidade antiga e boêmia, onde o carnaval é inteiramente de rua e espontâneo devido a não haver programação e cada bloco escolher o local onde deseja realizar a sua celebração.

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Nas ruas de Olinda, na dança e na música se misturam tradições da cultura portuguesa e africana.

Em 2007, chegou a Montevidéu para fotografar o desfile de chamadas, uma festa popular de candombe que se realiza todos os fevereiros no Uruguai.

© Foto / Guido PiotrkowskiCarnaval em Montevidéu
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Carnaval em Montevidéu
Piotrkowski conta que as vezes que foi fazer cobertura do carnaval uruguaio não conseguiu entrar no Teatro de Verano para tirar fotos, porque neste país o único fotógrafo que tem autorização é o nomeado pelo fotógrafo da associação de Diretores Associados de Espetáculos Carnavalescos Populares do Uruguai (DAECPU), que tem os direitos de imagem do que acontece no palco e o direito exclusivo de venda destas imagens.

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"Isso é um tema complicado, apenas uma pessoa tem o monopólio das fotos do Teatro de Verano, a verdade é que é estranho, porque um evento tão lindo como esse não esteja aberto à imprensa é muito bizarro, muito estranho, e eu não entendo como isso continua sobrevivendo em um lugar onde o carnaval é tão importante e tão lindo como em Montevidéu", disse o fotógrafo.

O norte

Em 2009 Piotrkowski chegou a Tilcara e a La Quebrada de Humahuaca (norte argentino), "um dos carnavais mais bonitos, verdadeiros e autóctones da Argentina", que se inicia com o "desenterro do Diabo", que é representado por um boneco enterrado com o encerramento de cada Carnaval, que eles chamam de "Domingo de Tentação".

Nesta área, apesar de a celebração envolver ritos andinos, também mistura-os com tradições trazidas pelos espanhóis na época da conquista e com os cultos dos diferentes povos originários da região.

© Foto / Guido PiotrkowskiCarnaval
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"Em Tilcara há moradores do bairro, que tocam música do norte e vão de casa em casa onde se servem recipientes com muita chicha e aguardente, que até que acabem não se pode sair, você é obrigado a beber, ou não pode ficar lá, e os grupos vão parando, e tocando", contou o cronista.

Salvador

Em 2010 chegou a Salvador, onde se realiza o carnaval de rua "maior do mundo" e foi incrível, lá também acontece tudo nas ruas, mas está mais organizado do que em Olinda, apesar de não haver um sambódromo, você pode alugar um palco ou seguir os trios elétricos (caminhões com músicos)", explicou.

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Depois, em 2011, visitou o carnaval de Oruro, na Bolívia, onde por uma rua muito longa desfilam os grupos e agrupamentos carnavalescos andinos. Depois foi ao Panamá, onde o carnaval tem influência gringa que não lhe despertou muito interesse.

Além disso, viajou para Barranquilla, onde a celebração é uma mistura entre tradições espanholas e indígenas, onde se realizam manifestações culturais que se não fosse o carnaval não teriam sobrevivido, como a famosa Danza del Garabato e danças africanas. Em Barranquilla, bem como em Montevidéu, há um dos poucos museus do Carnaval do mundo.

© Foto / Guido PiotrkowskiCarnaval
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Em 6 de fevereiro chegou ao Rio de Janeiro para retratar o carnaval no sambódromo e, além disso, está tentando se acreditar para o baile mágico do Copacabana Pallace.
Piotrkowski é autor do livro "Carnavaleando", publicado em 2015, onde recolheu o seu trabalho sobre os carnavais latino-americanos.

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