'Perigo chinês', a alternativa à 'ameaça russa' na Europa

© AFP 2022 / TED ALJIBE Dragão Vermelho, o símbolo da China
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A China continua promovendo seus interesses na Europa enquanto toda a atenção se concentra na Rússia, afirma Sylvie Kauffmann, colunista do jornal francês Le Monde.

Segundo o artigo, a estratégia de influência chinesa e as tentativas do líder do país, Xi Jinping – "o mais forte desde a época de Mao" – de substituir a democracia liberal pelo capitalismo autoritário são na realidade uma maior ameaça para a Europa que a mítica "ameaça russa".

"A China move as peças de xadrez e faz isso de maneira muito mais ofensiva do que parece", afirmou Kauffmann.

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Apesar de "todos os olhos estarem centrados na Rússia, o verdadeiro problema de amanhã é a China e queremos avisar os europeus", declarou ao jornal um especialista norte-americano em relações russo-americanas que preferiu manter o anonimato.

A colunista indicou também que a preocupação de Washington quanto à crescente influência da China pode ser atribuída às supostas tentativas da administração do presidente Trump de desviar a atenção da Rússia, mas ultimamente, os europeus também começaram mostrando preocupação relativamente à "ameaça asiática".

Por exemplo, em 2018 no consórcio chinês Cosco "tomou o controle" do porto grego de Pireu, que constitui o centro da Nova Rota da Seda. Ao mesmo tempo, a presença chinesa na região não era motivo de preocupação para os europeus há dez anos, durante a crise financeira.

"Pelo contrário, Atenas apoiou os investidores chineses. Entretanto, agora Bruxelas está consciente das ambições de Pequim, por isso 'levanta pontes' para proteger os interesses estratégicos da UE", afirmou Kauffmann.

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Segundo o recente relatório elaborado pelo Instituto de Política Global Pública (GPP, na sigla em inglês) e pelo Instituto de Estudos Chineses de Mercator (MERICS), "as autoridades chinesas têm como objetivo interferir e influir nas elites políticas, econômicas, acadêmicas e da mídia, além da sociedade civil dos países europeus". De acordo com a publicação, as atividades de Pequim "são mais facilmente aplicáveis nos países pequenos e mais vulneráveis", em particular, os países do Leste Europeu, algo que faz aumentar a fragmentação interna da UE.

Entretanto, para a colunista, a China ameaça não apenas a Europa, mas também a Austrália. Segundo Kauffman, Pequim persiste nas suas tentativas de interferir na vida política do país, que tem laços econômicos com a China e onde moram mais de 1.200 pessoas de origem chinesa. 

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