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Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

Eleições na América Latina 2018: Brasil diante do desafio de recompor o Estado de Direito

© AP Photo / Wesley SantosDilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva são vistos durante ato em Porto Alegre em 23 de janeiro de 2018, na véspera do julgamento no TRF-4
Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva são vistos durante ato em Porto Alegre em 23 de janeiro de 2018, na véspera do julgamento no TRF-4 - Sputnik Brasil
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Em 2018 vários países da América Latina escolhem seus novos líderes: Chile, Costa Rica, Paraguai, Colômbia, México, Brasil e Venezuela. Ademais, Raúl Castro deixará seu cargo. O caso do Brasil, com todos os escândalos políticos e acusações de corrupção, para não falar do impeachment contra Dilma Rousseff, está entre os mais marcantes.

"No Brasil não há um Estado de Direito, as eleições são um momento-chave para defender um Estado que já não temos." Essas são as palavras de Guilherme Simões Reis, professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

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Os brasileiros enfrentarão umas eleições complexas: a arena política está longe de estar definida, de acordo com o especialista, não por falta de candidatos, mas porque não se tem a certeza que os que ganhem nas urnas possam governar.

"Antes do golpe contra Dilma Rousseff [12 de maio de 2016] as eleições decidiam realmente quem ia dirigir o país, agora já não se pode dizer isso. Não temos democracia, não sabemos se realmente quem for eleito poderá implementar suas políticas, se vai sofrer um golpe ou não", explicou à Sputnik Mundo Simões Reis.

As eleições estão marcadas para outubro de 2018, vai ser eleito o presidente e o vice-presidente, os membros do Congresso Nacional, os governadores e vice-governadores estaduais e os integrantes das assembleias legislativas estaduais.

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Quanto aos possíveis cenários, o cientista político brasileiro considera que existem apenas dois: um com Luiz Inácio Lula da Silva e outro sem ele. O ex-presidente do Brasil e líder do Partido dos Trabalhadores (PT) foi condenado a cumprir 12 anos e um mês de prisão por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e a defesa está fazendo o possível para evitar a prisão.

De todas as formas, o partido já anunciou que Lula viria a ser o seu candidato. Todas as pesquisas de intenção de voto indicam que é ele o favorito, mesmo após a ratificação da condenação, em 24 de janeiro de 2018.

"Não há que tratar como normal que Lula não possa concorrer, por isso o PT está dizendo que não tem outro candidato além dele, igualmente, esse é o discurso correto; não poderiam adotar outro", explicou Simões Reis.

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No entanto, o cientista indicou três nomes de esquerda que poderiam vir a ser candidatos, mas nenhum pode ocupar a posição de Lula. "As pesquisas dizem que um candidato apoiado por Lula teria muito mais força, mas nunca chegaria a conseguir o mesmo que Lula como candidato, é claro que todos ficariam longe. O cenário para a esquerda é frágil se Lula não for candidato", assegurou o cientista político.

Simões Reis se refere a Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e membro do PT, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Brasil, um candidato mais "popular" e com "mais força", e Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista, ex-ministro e ex-governador do Ceará.

A oposição não tem um candidato "forte", para além disso, diz o especialista, "está fragmentada". No entanto, já se sabe que Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), vai competir pela cadeira presidencial. Alckmin conta com o apoio da poderosa Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), mas não é "popular". Em outro cenário possível está Marina Silva, pré-candidata da Rede Sustentabilidade, que já disputou as últimas eleições.

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Simões Reis também contou que há aqueles que querem que o Luciano Huck, apresentador de televisão brasileiro, seja candidato, mas não tem "muita força". O que se perfila com mais apoio, mesmo que não seja "competitivo", é o "extrema-direita" Jair Bolsonaro, deputado federal desde 1991 do Rio de Janeiro, do Partido Social Cristão.

"Bolsonaro defende a tortura e a ditadura militar; se pode dizer que é um fascista mais pró-mercado que os fascismos tradicionais. Sempre foi escolhido por militares, mas agora está fazendo campanha contra a esquerda dizendo que todos são corruptos e a classe média em grande parte o suporta; é a criminalização da política", frisou Simões Reis.

Por sua vez, o especialista considera que podem aparecer candidatos da esfera judicial e/ou policial. Sérgio Moro, o juiz que condenou Lula à prisão, é um dos possíveis. "Realmente é muito popular entre os setores reacionários e que criminalizam a política", explicou Reis.

Segundo o especialista, a oposição "não está preocupada com o Estado de Direito, que está danificado; não existe. O importante é atear fogo no inimigo, e o inimigo é Lula e o PT, então existe uma perseguição política muito grave".

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