Eleições na Catalunha: partidos pró-independência devem manter maioria na parlamento

© Sputnik / Elena Shesternina / Abrir o banco de imagensParticipantes na greve nas ruas da Catalunha ao apoiar o referendo para independência e secessão da Catalunha da Espanha
Participantes na greve nas ruas da Catalunha ao apoiar o referendo para independência e secessão da Catalunha da Espanha - Sputnik Brasil
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Pesquisas de boca de urna das eleições regionais da Catalunha mostraram uma provável vitória para os partidos pró-independência, embora venham perdendo terreno para os partidos pró-sindicalistas desde 2015.

A eleição foi convocada no final de outubro, depois que o governo espanhol dissolveu o Parlamento catalão por participar de um referendo de independência considerado ilegal.

O jornal local catalão La Vanguardia informou que os partidos pró-independência teriam de 67 a 71 assentos entre os 135 do parlamento catalão. O comparecimento às urnas foi de 68,3% a 69,4% da população votante. As pesquisas de opinião mostraram um empate entre os partidos pró-independência e pró-sindicalistas que entraram nas eleições.

Muitas cadeiras devem ir para o partido Cidadãos (Ciutadans) de centro-esquerda. Anteriormente, os partidos pró-independência ocuparam 72 assentos no parlamento catalão, o que configura situação de maioria. São necessários 68 lugares para ter a maioria absoluta no parlamento.

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Em outubro, os catalães votaram pela separação da Espanha e declararam a Catalunha um estado soberano. Madri respondeu com força decisiva ao declarar o referendo regional ilegal, dissolvendo o parlamento regional separatista, prendendo a maioria dos líderes pró-independência da Catalunha e empurrando o presidente Carles Puigdemont a fugir da nação, além de pedir uma eleição antecipada para dezembro.

Puigdemont, que viveu no exílio na Bélgica, pediu um retorno à ordem regional na Catalunha. Seu ex-vice-presidente, Oriol Junqueras, também assumiu um tom conciliador, diferente dos pedidos anteriores de separação unilateral. "Posso garantir que somos democratas antes de sermos separatistas e que o objetivo [de ganhar independência] nem sempre justifica os meios", disse Junqueras, que atualmente está sob custódia por acusações de insubordinação.

Mas muitos observadores duvidam que a divisão entre sindicalistas e separatistas possa diminuir tão facilmente.

As linhas na Catalunha são geralmente desenhadas entre os partidos nacionalistas catalães de direita, como a coalizão Juntos pelo sim (Junts Pel Sí), de Puigdemont, e os partidos socialistas europeus de esquerda, como o Cidadãos e o Partido Socialista da Catalunha, que apoiam o sindicalismo espanhol. No entanto, partidos menores, como a Candidatura da Unidade Popular (CUP) e o Partido Popular, conservador, mostram que a questão transcende as tradicionais divisões entre esquerda e direita para muitos catalães.

À medida que os separatistas continuam a controlar o parlamento, as tensões entre Madri e Barcelona devem continuar. Mais de mil pessoas foram presas durante confrontos entre a polícia federal e os manifestantes nos dias que se seguiram ao referendo.

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Mas uma vitória sindicalista não seria garantia de estabilidade, já que 2 milhões de catalães votaram pela separação em outubro e provavelmente não devem abandonar sua causa.

O presidente espanhol, Mariano Rajoy, recebeu o apoio de outros governos europeus, a maioria declarando que não reconheceriam a Catalunha independente. Mas ele também tem contado com a crise para desviar a atenção de um escândalo de corrupção que caiu sobre vários membros de seu partido.

A Catalunha é o centro industrial e de negócios da Espanha, representando um quinto da economia espanhola, mas apenas cerca de 16% da população. No entanto, o caos que se seguiu ao referendo levou mais de 2 mil empresas a mudarem suas sedes da Catalunha para outras regiões da Espanha.

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