Tiro à estratosfera: por que a Rússia aposta em canhões de longo alcance

© Sputnik / Vitaly Ankov / Abrir o banco de imagensMilitarMilitares russos lançam fogo da peça de artilharia autopropulsada 2S5 Giatsint durante os exercícios (foto de arquivo)
MilitarMilitares russos lançam fogo da peça de artilharia autopropulsada 2S5 Giatsint durante os exercícios (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A Rússia é considerada como um dos líderes mundiais quanto ao desenvolvimento e produção de artilharia. As calculadoras balísticas avançadas dos obuses modernos consideram um grande número de parâmetros, até mesmo as condições meteorológicas na estratosfera.

Neste artigo a Sputnik explicará por que o exército russo não descarta a utilização deste tipo de armas.

Distâncias incríveis

Hoje em dia, a Rússia possui vários sistemas de artilharia cujos projetis, quando disparados à distância máxima, podem atingir uma altitude impressionante. De fato, uma parte da trajetória de seu voo alcança as camadas superiores da estratosfera, onde o ar é rarefeito e sua resistência é mínima. Este fator contribui positivamente para o alcance do tiro.

"Se falarmos da artilharia, os nossos sistemas Koalitsia-SV e Pion são capazes de lançar projetis a altitudes estratosféricas. Por exemplo, o projetil do Pion alcança de 30 a 32 quilômetros", explicou o especialista militar Viktor Murakhovsky.

O alcance de tiro da peça autopropulsada de 203 mm 2S7 Pion atinge 47 quilômetros, mas quanto ao alcance do obus de calibre 152 mm Koalitsia-SV, este conseguiu disparar, durante testes, o projetil a uma distância de… 70 quilômetros. E o alvo foi atingido!

© Sputnik / Ilya Pitalev / Abrir o banco de imagensObus autopropulsado Koalitsiya
Obus autopropulsado Koalitsiya  - Sputnik Brasil
Obus autopropulsado Koalitsiya

No momento, este é o recorde quanto a peças autopropulsadas desde calibre. Aproximando-se em termos de capacidades dos mísseis táticos-operacionais, estes obuseiros podem servir perfeitamente para ataques contra postos de comando do inimigo, supressão de defesa antiaérea e antimíssil, destruição de vias de abastecimento e assim por diante.

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O que vale destacar também, é que com estas particularidades o obuseiro permanecerá longe do alcance da artilharia do inimigo.

Se compararmos com o obuseiro autopropulsado norte-americano de 155 mm M109 Paladin, sua distância máxima corresponde a 30 quilômetros. O obuseiro britânico A S90 Braveheart não supera 40 quilômetros, o AMX AuF1T francês alcança 35 quilômetros.

Escolha econômica

De acordo com especialistas, no momento não tem como substituir a artilharia clássica e no futuro próximo isso também será difícil. Apesar da alta precisão e eficácia, os sistemas de mísseis táticos-operacionais modernos, tais como Tochka-U e Iskander, são muito complexos de fabricar e são caros. Então, eles não podem competir com canhões quando se trata de operações militares de grande escala. Também cumprem missões diferentes.

Segundo explicou Murakhovsky, mísseis geralmente são usados contra os alvos mais importantes do inimigo, tais como grandes postos de comando. Quanto à artilharia, a distâncias máximas esta dispara contra tais objetivos como lançadores de mísseis, armazéns de munições, etc.

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Além disso, ele destacou o papel dos obuseiros em guerra eletrônica. 

"Quando é preciso lidar com um inimigo bem equipado tecnologicamente, este vai desligar rapidamente todas as ondas de rádio e sinais de GPS ou GLONASS. […] É aí que serve a boa e velha artilharia."

De alta precisão

Contudo, quanto à modernização destas armas, ela está em curso. Por exemplo, os construtores planejam equipar os novos obuseiros com projetis nos quais são implementados circuitos integrados que ajustam a trajetória de voo. O disparo é feito superando a distância necessária e com ligeiro afastamento do alvo, depois o projetil ajusta sua trajetória devido às coordenadas programadas no circuito integrado.

© Sputnik / Yegeny Biyatov / Abrir o banco de imagensPeça de artilharia autopropulsada MSTA-S
Peça de artilharia autopropulsada MSTA-S - Sputnik Brasil
Peça de artilharia autopropulsada MSTA-S

Entre outras inovações, vale destacar a instalação de um radar no obuseiro. Este monitoriza em tempo real o projetil durante o voo por quase toda a sua trajetória e calcula as coordenadas do local atingido. O projetil seguinte já é disparado considerando os ajustes.

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