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Crise de segurança no Rio: 'estamos vivendo uma guerra irregular', diz especialista

© Tomaz Silva / Fotos PúblicasPedestrem tiram fotos de militares que ocupam praia de Copacana em operação das Forças Armadas no Rio
Pedestrem tiram fotos de militares que ocupam praia de Copacana em operação das Forças Armadas no Rio - Sputnik Brasil
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O especialista em segurança, inteligência e estratégia, diretor da empresa Tróia Intelligence, Ricardo Gennari, conversou com a Sputnik Brasil sobre o projeto do governo que prevê a permanência das Forças Armadas no Rio de Janeiro mesmo após o fim do governo de Michel Temer em 2018.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, defendeu nesta terça-feira (13) a continuidade da atuação das ações das Forças Armadas no Rio de Janeiro mesmo após o fim do Governo de Michel Temer. 

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista em segurança, inteligência e estratégia, Ricardo Gennari, comentou a controversa classificação de que o Rio de Janeiro estaria vivendo uma guerra. De acordo com ele, a situação no Rio diz respeito a uma "guerra irregular".  

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"Quando a gente fala do conceito guerra, a gente não vive uma guerra regular […] a gente vive uma guerra irregular. Tem muita gente que faz estudos comparativos disso com guerrilha, porque o tipo de armamento que se usa hoje é de fuzil pra cima", declarou.

"Estamos falando de uma armamento de guerra, uma guerra irregular. A gente pode usar outros nomes, mas é um conflito que a gente está vivendo. As crianças não podem ir pra escola, as pessoas não podem ir pra praia. Então isso é muito complicado. Isso traz insegurança, insatisfação, pouco investimento", acrescenta. 

Em relação aos planos do governo de manter as Forças Armadas no Rio mesmo após o fim do governo de Michel Temer em 2018, o especialista atentou para os riscos desse tipo de operação sem contar com a integração efetiva das forças de segurança e inteligência.

"As Forças Armadas são o último guardião de qualquer sociedade, e quando você coloca o último, na hora em que ele for desafiado e na hora em que ele for vencido, nós não teremos mais ninguém pra defender […] Não adianta colocar Forças Armadas, polícias, o que quiser, se não tiver uma integração real. Se não tiver uma disponibilidade do Estado, dos governantes, a gente já tá perdendo a batalha, e a gente tá a caminho de perder a guerra", afirmou Gennari. 

Ao comentar a origem dos recursos para financiar as operações militares no Rio de Janeiro, o especialista comentou o projeto que prevê que os recursos financeiros venham dos tributos pagos pelas indústriais de material bélico.

De acordo com ele, trata-se de "um projeto interessante, muito eficaz". "Agora, nós estamos no Brasil, vamos ver se isso realmente vai acontecer. Se esses recursos vão aparecer e se esses recursos serão distribuidos para a segurança pública do país", ponderou. 

Desde julho, as Forças Armadas, a Força Nacional de Segurança Pública, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal realizam operações em conjunto com a Polícia Civil e a Polícia Militar, no combate ao crime organizado. 

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