Opinião: países do Oriente Médio estão enxergando Rússia com outros olhos

© AP Photo / Mikhail KlimentyevPresidente russo, Vladimir Putin, discursando para as tropas russas na base aérea de Hmeymim, Síria, 11 de dezembro de 2017
Presidente russo, Vladimir Putin, discursando para as tropas russas na base aérea de Hmeymim, Síria, 11 de dezembro de 2017 - Sputnik Brasil
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Estados Unidos querem manter forças militares na Síria após a retirada das tropas russas para garantir a oportunidade de influenciar na situação do país, disse à Sputnik o ex-funcionário da CIA e diretor executivo do Conselho de Interesses Nacionais dos EUA, Philip Giraldi.

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"Os EUA querem sentar à mesa das negociações quanto à regularização pós-guerra na Síria, e por isso deixam conselheiros, aliados e terroristas que atuam na região para assegurar a legitimidade da sua presença", declarou ele.

Segundo Giraldi, os EUA "continuam sonhando" com o afastamento do presidente sírio, Bashar Assad.

No entanto, a edição norte-americana The New Yorker, citando funcionários norte-americanos e europeus, informou que a Casa Branca pode aceitar permanência de Bashar Assad no poder até as próximas eleições em 2021.

Nota-se que a nova posição de Washington reflete "as opções limitadas da administração" e a realidade militar no local – reforço das posições de Damasco com ajuda da Rússia.

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Em 12 de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, durante visita à base aérea russa em Hmeymim, declarou início da retirada das tropas russas da Síria.

Em conformidade com os últimos passos políticos, o cientista político, Igor Shatrov, em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, opina que os EUA estejam procurando maneiras de manter seu contingente militar na Síria.

"A declaração recente [do presidente dos EUA Donald Trump] sobre o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense pode estar ligada à tentativa de criar outro foco de tensões no Oriente Médio, e o objetivo de criar tal foco de tensão é manter os soldados norte-americanos na Síria. Os norte-americanos precisam do país para controlar a situação não só na Síria, mas também nos países vizinhos."

De acordo com Shatrov, as ações decisivas da Rússia contra o terrorismo internacional na Síria levaram à mudança do balanço de forças global no Oriente Médio.

"A Federação da Rússia agora é percebida pelos países da região de uma maneira totalmente diferente do que alguns anos atrás. Contatos recentes de Putin com os líderes dos países da região – não se trata somente do presidente sírio, egípcio e turco, mas também de contatos com o rei da Arábia Saudita, governo do Irã – testemunham que agora os países do Oriente Médio estão à procura de novos métodos para solucionar seus problemas e veem a Rússia como um país capaz de influenciar na situação regional e restaurar a estabilidade", concluiu Igor Shatrov.

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