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Impasse nuclear: por que Rússia e EUA não conseguem um compromisso sobre mísseis?

© Sputnik / Vasily BatanovLançamento de um míssil de cruzeiro pelo sistema de mísseis costeiro Utyos da Frota do Mar Negro da Marinha da Rússia durante treinamentos (foto de arquivo)
Lançamento de um míssil de cruzeiro pelo sistema de mísseis costeiro Utyos da Frota do Mar Negro da Marinha da Rússia durante treinamentos (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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O Tratado INF, assinado em 1987 por Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan, foi considerado como o fim da corrida armamentista. A ratificação do documento devia tornar o nosso planeta um ligar mais seguro. Mas a verdade é que é muito difícil alcançar a estabilidade em um documento.

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Na situação de tensões geopolíticas que existem hoje em dia, o Tratado parece estar a rebentando pelas costuras.

O que proibia o Tratado INF? 

Os EUA e a Rússia se comprometeram em não desenvolver, testar e instalar mísseis de cruzeiro e balísticos terrestres de médio (de 1.000 a 5.000 km) e curto (de 500 a 1.000 km) alcance. Estes tipos de armas desequilibravam a balança de forças na Guerra Fria. A parte que instalasse tais sistemas perto das fronteiras do inimigo obteria vantagem e poderia liquidar o inimigo ou diminuir sua capacidade para efetuar um ataque preventivo ou um ataque de resposta.

O artigo 3 do Tratado INF prevê a liquidação dos mísseis soviéticos de médio alcance RSD-10 Pioner, R-12, R-14 e mísseis de cruzeiro terrestres RK-55, de curto alcance OTR-22 Temp-S e OTR-23 Oka, bem como dos mísseis norte-americanos MGM-31C Pershing II, BGM-109G de médio e MGM-31A Pershing IA de curto alcance.

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As condições do programa de reciclagem foram cumpridas até junho de 1991, a União Soviética liquidou 1.846 e os EUA 846 sistemas de mísseis.

Quando começou piorando a situação? 

Em 2001, o presidente norte-americano George W. Bush declarou que a defesa antimíssil nacional iria proteger não só o território dos EUA, mas também o dos aliados [na Europa]. Em junho de 2002, os EUA saíram oficialmente do Tratado de 1972 sobre Mísseis Antibalísticos, que previa que cada parte tivesse no seu território apenas uma região protegida pela defesa antimíssil. O presidente russo Vladimir Putin mostrou imediatamente a sua reação, anunciando a possibilidade da saída da Rússia do Tratado INF.

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Em 2007, o ministro da Defesa russo Sergei Ivanov classificou o Tratado INF como uma "relíquia da Guerra Fria", afirmando que a Rússia deve ter mísseis de pequeno e médio alcance porque tais armas já tinham a Índia, Paquistão, Coreia, China, Irã e Israel.

No mesmo ano, o general russo Nikolai Solovtsov declarou que a Rússia estava pronta para lançar de novo a produção de mísseis balísticos de médio alcance em resposta às declarações de que a Polônia e República Tcheca pretendem aceitar a proposta dos EUA de instalar elementos da defesa antimíssil no seu território.

Por que querem hoje os EUA sair do Tratado INF? 

Desde 2013, os EUA começaram acusando a Rússia de violações do Tratado INF. Washington afirma que nos anos 2008-2011 a Rússia testou um míssil de cruzeiro terrestre com alcance de mais de 500 km no polígono Kapustin Yar. Em 2017, os EUA começaram afirmando que este míssil foi posicionado.

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De acordo com especialistas russos, trata-se dos mísseis do sistema Iskander. Os representantes do Ministério da Defesa negam as acusações, afirmando que o alcance máximo operacional do míssil testado não supera 500 km.

Como vai se desenvolver a situação?

O Ministério das Relações Exteriores russo comunicou que a Rússia vai cumprir todas as condições do Tratado INF enquanto os EUA fizerem o mesmo, acrescentando que Moscou não aceita a "linguagem de ultimatos" e pressões político-militares e de sanções.

Um dos exemplos de tal pressão é a intenção dos EUA de instalar no próximo ano os sistemas de mísseis universais Aegis Ashore na Polônia, destinados também para lançar mísseis de cruzeiro. Isso seria uma violação aberta do Tratado INF.

A resposta possível da Rússia foi anunciada ainda há 10 anos por Nikolai Solovtsov. A Rússia tem toda a documentação dos mísseis proibidos. O reinicio da produção de tais mísseis é só uma questão de tempo que pode ser resolvida rapidamente.

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