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Greve de fome marca protesto de trabalhadores rurais contra Reforma da Previdência

© Foto / Bruno Pilon / MPAIntegrantes do MPA realizam greve de fome em protesto contra a Reforma da Previdência
Integrantes do MPA realizam greve de fome em protesto contra a Reforma da Previdência - Sputnik Brasil
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A iminência da votação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados motivou três integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) a iniciarem uma greve de fome em Brasília. Passados três dias, o trio garante seguir mais motivado do que nunca para manter a luta por mais de 300 mil famílias camponesas de todo o país.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, a integrante da coordenação nacional do MPA, Adilvane Spezia, explicou que uma equipe médica vem acompanhando os três grevistas – Frei Sérgio, Josineide Costa e Leila Hernandez –, que fizeram a sua última refeição na manhã de segunda-feira. À base de água e soro, o trio promete seguir com o seu protesto.

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"Eles estão bem animados e convictos de que essa greve de fome é um recurso de luta, não apenas um jejum, que aqui no Brasil usamos como último recurso. O motivo disso é que, desde que o Brasil viveu o golpe, em abril de 2016 [impeachment de Dilma Rousseff], as medidas tomadas pelo governo golpista têm tirado direitos dos trabalhadores", disse Adilvane.

De acordo com a integrante do MPA, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) tem feito coisas que "nem a ditadura militar fez", tendo recentemente "atacado o direito dos trabalhadores com a Reforma Trabalhista" e agora com a tentativa de aprovar a Reforma da Previdência, que vai "elevar a idade mínima para aposentadoria, a carga de trabalho, afetando camponeses, principalmente as mulheres".

"Havíamos ouvido na semana passada que os trabalhadores rurais haviam sido retirados da reforma, mas o MPA se manteve na luta. Ontem [terça-feira] descobrimos que os trabalhadores rurais continuam na proposta do governo Temer, que propõe algo ainda mais agressivo e que vai liquidar a vida dos trabalhadores", continuou.

As primeiras 24 horas da greve de fome foram vivenciados no Anexo 2 da Câmara, e havia a expectativa de que eles pudessem ser recebidos pelo presidente da Casa, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pelo presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), a fim de pedirem que ambos abandonassem os planos de votar a Reforma da Previdência.

Por enquanto, não houve nenhum indicativo de que os grevistas serão recebidos. Nos bastidores de Brasília, o governo Temer vem articulando junto à base parlamentar o alcance dos 308 votos necessários para aprovação da reforma – por ser uma emenda constitucional, são necessários dois terços de votos favoráveis para o projeto passar na Câmara. A expectativa do Planalto é conseguir votar a proposta na próxima semana.

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Também na próxima semana, o MPA promete manter não só a greve de fome na capital federal, mas também deverá convocar protestos ao longo dos Estados brasileiros. A meta é mobilizar não só os trabalhadores rurais, mas também a sociedade para o que consideram perigos à classe trabalhadora, que vem sendo atacada com um projeto “que jamais seria escolhido pelo voto popular”.

"Ele [Temer] é o presidente mais impopular de toda a história do país. É um golpista. Na semana que vem faremos um chamamento em todos os Estados contra a Reforma da Previdência. Já temos até proposições em alguns deles para greves de fome. Teremos o apoio de companheiros da Via Campesina", revelou Adilvane.

Segundo o texto que foi aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados, a idade mínima para aposentadoria dos trabalhadores rurais foi alterada de 65 para 60 anos para homens, e 57 anos para mulheres. Além disso, será preciso 20 anos de contribuição para se aposentar, em vez de 25, como propôs inicialmente o governo Temer.

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