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O voo que nunca chegou: 1 ano da tragédia da Chapecoense

© AFP 2022 / DOUGLAS MAGNOJogadores da Chapecoense participam, em 30 de novembro de 2016, de um ato em homenagem aos seus companheiros mortos em acidente aéreo na Colômbia
Jogadores da Chapecoense participam, em 30 de novembro de 2016, de um ato em homenagem aos seus companheiros mortos em acidente aéreo na Colômbia - Sputnik Brasil
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A história de conto de fadas foi interrompida na madrugada de 29 de novembro de 2016.

Sem combustível, a aeronave da LaMia caiu a poucos quilômetros da cidade de Medellín, na Colômbia. Ela transportava equipe, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, além de jornalistas e da tripulação, para a final da Copa Sul-Americana. Foram 71 mortos e seis feridos.

Com orçamento modesto e um modelo de gestão exemplar, o time da cidade de 210 mil habitantes do interior de Santa Catarina iria enfrentar um dos gigantes do futebol da América Latina: o Atlético Nacional — o time com mais títulos em toda a Colômbia.

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Um ano após o acidente, as circunstâncias da queda do avião ainda não foram esclarecidas e as famílias das vítimas enfrentam dificuldades.

De quem é a LaMia?

Oficialmente, a companhia LaMia é uma empresa boliviana cujos proprietários são Miguel Quiroga e Marco Antonio Rocha Venegas. A LaMia já havia transportado outras equipes, como a seleção da Argentina de futebol.

Miguel era o piloto do avião que caiu na Colômbia e morreu no acidente, já Marco está foragido da justiça.

Com a comoção criada após o acidente, contudo, descobriu-se que a LaMia pode ter sócios ocultos. A imprensa boliviana teve acesso à investigação local que aponta que o ex-senador da Venezuela Ricardo Alberto Albacete e sua filha, Loredana Albacete Di Bartolomé, são os verdadeiros donos da empresa.

O presidente da Associação Brasileira das Vítimas do Acidente com Chapecoense (Abravic), Gabriel Andrade, afirma ter tido acesso à documentos que demonstram a ligação entre LaMia e o ex-senador venezulano.

"Infelizmente, esse fato demonstra ainda mais a obscuridade que paira sobre esse caso", afirmou Andrade em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Seguro e Indenizações

Tanto Andrade quanto Fabienne Belle, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C), concordam que a falta de uma conclusão das investigações dificulta a vida dos familiares das vítimas.

Fabienne é viúva de Luís César Cunha, fisiologista da Chapecoense morto no acidente. Eles eram casados há 22 anos. 

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No Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) apontou em seu inquérito que a Chapecoense e seus dirigentes não foram negligentes em contratar a LaMia. Entretanto, a investigação do Grupo de Investigação de Acidentes Aéreos (Griaa) ainda não foi concluída.

Na Colômbia, também não há conclusão para as investigações. A mesma situação se repete na Bolívia.

"Nós estamos aguardando a finalização das investigações para ver quais ações jurídicas serão tomadas", afirmou Fabienne em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

A LaMia tinha um contrato com a seguradora Bisa Seguros y Reaseguros no valor de US$ 25 milhões. Todavia, o contrato não oferecia cobertura para acidentes ocorridos na Colômbia e o pagamento das apólices ainda deve levar um "bom tempo", acredita Fabienne.

Diante do impasse, a Bisa ofereceu pagar uma "ajuda humanitária" de US$ 200 mil para os familiares das vítimas, desde que eles abram mão de pleitear na justiça qualquer valor no futuro. A proposta não foi aceita.

A presidente da AFAV-C afirma que cada família recebeu R$ 61 mil da Chapecoense e que há pessoas enfrentando dificuldades.

O Futuro

Para superar a perda dos jogadores do plantel da Chape que morreram no desastre aéreo, os clubes brasileiros se uniram. Foram emprestados jogadores ao clube catarinense e a temporada que começou com o medo do rebaixamento, pode terminar com a ida do time à Libertadores — a competição de clubes mais importante da América Latina.

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A assessoria de imprensa do clube afirmou à Sputnik Brasil que a base da equipe deste ano irá permanecer para a próxima temporada.

"Para a Chapecoense, foi um ano muito difícil, a tragédia levou do presidente ao roupeiro, levou 19 jogadores, toda a comissão técnica. Foi preciso com tanta dor, tanto sentimento das pessoas de Chapecó, encontrar uma alternativa", afirmou o narrador esportivo Rafael Henzel, que estava no voo da LaMia e sobreviveu ao acidente.

Henzel acredita que a campanha da Chapecoense em 2017 foi "valorosa": a equipe foi campeã do Campeonato Catarinense e conseguiu a classificação na fase de grupos da Libertadores — mas foi excluída no "tapetão" pela escalação irregular de um jogador.

"Agora, friamente olhando a gente pode dizer que foi um ano sensacional", diz Rafael Henzel.

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