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O que falta para que sauditas formem aliança com Israel contra Teerã?

© AFP 2021 / ALAIN JOCARD Ministro da Defesa da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud
Ministro da Defesa da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud - Sputnik Brasil
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Riad aprovaria "qualquer documento" no longo conflito do Oriente Médio a fim de poder fazer uma aliança com os israelenses contra o Irã, acredita o ex-diretor de Segurança Nacional de Israel.

As autoridades sauditas, em particular o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, estão prontas para aprovar qualquer acordo entre israelenses e palestinos como o objetivo de eliminar o principal obstáculo à construção de laços mais estreitos com Israel, potencial aliado contra Teerã, acredita o antigo assessor de segurança do premiê israelense Benjamin Netanyahu, o general de brigada Yaacov Nagel.

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Embora Israel e a Arábia Saudita nem sequer tenham relações diplomáticas oficiais, há mais de uma década Riad propôs uma iniciativa para melhorar as relações com Israel.

A iniciativa de paz árabe, apoiada pela Liga Árabe, representa um apelo ao Estado israelense para que se retire dos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e encontre "uma solução justa para o problema dos refugiados palestinos".

A restauração das fronteiras anteriores ao ano de 1967 (Guerra dos Seis Dias) continua a ser o principal ponto de referência em qualquer discussão sobre um acordo de paz entre Israel e os palestinos.

No entanto, a Arábia Saudita pode aceitar qualquer acordo entre as duas partes, diz Nagel, que foi diretor de Segurança Nacional na administração de Netanyahu entre janeiro de 2016 e maio de 2017.

Em declarações feitas para a edição The Telegraph, Nagel descreveu a iniciativa como inconsistente, mas admitiu que é importante para Riad que as partes formalmente resolvam o assunto. Para os sauditas, frisa o alto funcionário, "somente basta ouvir que existe um acordo entre Israel e a Palestina".

"Eles não se importam com o modo de alcançar este acordo", assinalou.

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Ao mesmo tempo, a procura de laços mais estreitos com Israel pode complicar as relações do Reino saudita com o resto do mundo muçulmano. Por isso, acredita Nagel, Riad está disposta a assumir qualquer documento, desde que ela possa "dizer que há um acordo para dar os próximos passos".

De acordo com o general israelense aposentado, "eles [os sauditas] não gostam dos palestinos mais ou menos que nós".

Em resumo, a situação atual é apenas um obstáculo à política externa saudita e, em opinião de Nagel, o príncipe Mohammad bin Salman é capaz de eliminar esse obstáculo.

As relações entre Israel e a Arábia Saudita experimentaram uma evidente aproximação neste mês, quando Riad acusou Teerã e sua força aliada no Líbano, o Hezbollah, de intervirem nos assuntos dos outros países no Oriente Médio, além de armarem os rebeldes xiitas (houthis) no Iêmen. Israel, por sua vez, também considera o Irã e a organização xiita libanesa como uma ameaça.

Precisamente nesta semana, o premiê israelense Benjamin Netanyahu revelou que seu país está cooperando secretamente com algumas nações árabes. O ministro da Energia e Recursos Hídricos israelense, Yuval Steinitz, também confirmou recentemente que mantém contatos com o mundo árabe, inclusive com a Arábia Saudita.

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Ademais, o exército israelense está se manifestando até disposto a compartilhar os dados da sua inteligência sobre Teerã com Riad, assegurou o chefe do Estado-Maior do exército israelense, Gadi Eizenkot, ao jornal saudita Alaf.

Apesar desta série de revelações sem precedentes, a Arábia Saudita rejeita ferozmente o fato de cooperar com Israel.

"As condições árabes são claras: dois Estados, com Jerusalém Oriental como capital do Estado palestino. Já as outras questões podem ser resolvidas entre israelenses e palestinos", ressaltou o ministro das Relações Exteriores saudita, Adel Jubeir, durante sua viagem ao Egito, reafirmando que a posição das nações árabes sempre foi a favor dos "irmãos palestinos".

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