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Países da OTAN possuem mercados para indústria bélica do Brasil explorar, dizem analistas

© Sputnik / Igor ZaremboUm soldado dispara desde lança-foguete (imagem ilustrativa)
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Quarto maior exportador mundial de munições e armas de pequeno porte, o Brasil pode ver crescer a sua participação no mercado de vendas bélicas e militares de todo o mundo nos próximos anos, principalmente a países da OTAN, afirmaram analistas na última segunda-feira, em Brasília.

Em uma audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, que integra o ciclo de debates 'O Brasil e a Ordem Internacional: Estender pontes ou erguer barreiras?', foram discutidas formas da indústria bélica nacional aumentar a sua participação no exterior.

Para o general-de-brigada José Eustáquio Nogueira Guimarães, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra (ESG), existem grandes possibilidades de venda dos aviões militares brasileiros Super-Tucano e KC-390, ambos da Embraer, para a União Europeia (UE).

Diante das pressões feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os países da OTAN aumentassem os seus gastos militares como manda o ordenamento da aliança, o Brasil pode tirar vantagem e aumentar o seu faturamento – que de 2001 a 2012 foi de US$ 9,6 bilhões.

Guimarães exaltou ainda a parceria feita pelo governo brasileiro com a Suécia para a montagem e desenvolvimento do caça Gripen NG. Para o militar, a parceria permitiu aos suecos abrir novos mercados ao seu produto, ao passo que o Brasil se beneficiou da transferência de tecnologia para renovar a sua frota aérea.

O embaixador Nélson Tabajara de Oliveira, diretor do Departamento de Assuntos de Defesa e Segurança do Ministério de Relações Exteriores, concordou com análise de que o Brasil tem grandes chances de realizar exportações de material bélico para a UE, uma vez que o bloco está "reestruturando o seu cenário de defesa".

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Segundo ele, a insegurança vem atingindo os países europeus internamente, o que também compromete a paz internacional. O diplomata também observou que a estratégia global de segurança da Europa vai além de suas fronteiras, visto que o continente é alvo de ações terroristas e atrai um grande fluxo de migrantes.

A instabilidade geopolítica ainda foi mencionada por Eduardo Marson Ferreira, presidente da Fundação Ezute – organização sem fins lucrativos especializada em soluções em tecnologia e gestão. Para ele, a indústria brasileira de defesa se insere um mundo de extrema volatilidade, com muita incerteza e complexidade.

Quanto à ocorrência de conflitos, Ferreira disse que a América Latina apresenta uma tendência completamente diferente das diversas regiões do planeta. Em 2016, ressaltou, o mundo gastou US$ 1,7 trilhão em defesa, com a hegemonia dos Estados Unidos no setor — o Brasil respondeu por 1,4% desse montante.

Ferreira disse ainda que a discussão sobre competitividade na indústria bélica – no caso do Brasil, a África e o Oriente Médio são hoje dois grandes mercados para tanques, carros de combate e lança-foguetes nacionais – deve levar em conta o uso de tecnologias que barateiam o custo do lançamento de satélites e dispensam o uso comercial de bases militares como a de Alcântara, no Maranhão.

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