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'Mais testes norte-coreanos, melhor': como o mercado indica se haverá guerra na península

© AFP 2021 / Nelson ALMEIDAMercado de valores
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O temor de que uma guerra ecloda na Península da Coreia reaparece a cada entrevista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou novo teste balístico e/ou nuclear da Coreia do Norte. Mas ninguém se arrisca a cravar o que o futuro reserva na região. Bem, quase ninguém.

Embora a retórica entre Washington e Pyongyang siga efervescente, um bom termômetro é o mercado financeiro no Leste Asiático. E, com base nas movimentações recentes, é muito pequena a chance de um conflito armado tomar forma na região.

Um exemplo é o crescimento do índice KOSPI, referencial sul-coreano semelhante ao Ibovespa no Brasil para o mercado de ações. Para analistas econômicos que experiência no mundo dos negócios, os investidores não vêm sentindo a iminência de uma guerra, e os negócios seguem de vento em popa.

"O desempenho do mercado coreano não reflete [a iminência de] guerra. Em vez disso [há] uma expectativa de cooperação internacional melhorada com todas as partes interessadas. Isso se reflete no fato de que todos os mercados regionais estão superando as expectativas", disse Mikio Kumada, diretor executivo da Strategic Strategist da LGT Capital Partners em Hong Kong ao jornal sul-coreano Korea Times.

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O mesmo analista vê com bons olhos o renascimento do comércio global nos últimos meses e a estabilidade dada à Coreia do Sul pelo presidente Moon Jae-in. Outros aspectos sintomáticos envolve o recorde do índice KOSPI em 3 de novembro, quanto atingiu 2.557,97 pontos – quase 200 acima do registrado em setembro, quando do mais recente teste nuclear norte-coreano.

Em outubro, em meio ao temor de novos testes da Coreia do Norte, investidores estrangeiros registraram compras líquidos de mais de 3 trilhões de won (US$ 2.705.278.592,375), no que parece ser um movimento cheio de otimismo, embora o cenário político e da diplomacia estivesse para lá de incendiário.

Para o professor adjunto da Escola de Serviços Estrangeiros da Universidade de Georgetown, William Brown, "é interessante que, no meio de toda essa retórica de guerra, os mercados de ações dos EUA e da Coreia do Sul estejam indo bem". E não: os investidores não estão "loucos". "Acho que a maioria das pessoas reconhece que as chances de uma guerra de tiroteio são escassas".

Fenômeno não é apenas sul-coreano

E a situação positiva é registrada em outros pontos da Ásia Oriental, de acordo com um relatório escrito por Mikio Kumada e Michael Raska, professor do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos, uma unidade da Escola de Estudos Internacionais de S. Rajaratnam (RSIS) na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.

Segundo o documento, a força dos mercados de ações do Leste Asiático se torna particularmente evidente quando comparada à da América do Norte, Europa Ocidental e Japão. Desde o início do ano, o índice MSCI Korea em dólares saltou em torno de 40%, enquanto o MSCI Far East Index aumentou aproximadamente 33%.

Isso se compara a cerca de 20%, 14% e 13% para os índices de mercado de ações equivalentes da Europa, Japão e os EUA, respectivamente. Diante dos números, os dois analistas concluíram que ninguém no mundo dos negócios está levando a sério a guerra de palavras entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un.

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"A força pronunciada dos índices do Extremo Oriente pode implicar que um resultado geopolítico benigno na Península da Coreia está em construção. Como uma multidão, os investidores parecem ter uma visão clara. Os desenvolvimentos de segurança atuais na península não estão levando a uma guerra destrutiva, mas um reconhecimento pragmático do status nuclear da Coreia do Norte", escreveram.

Eles não estão sozinhos. Em seu último relatório, a agência de classificação de crédito global Fitch também disse esperar que uma guerra definitiva na península seja evitada. "Enquanto o nível atual de tensão é alto, as tensões na península não são novas e seguiram um padrão familiar de ciclos de ascensão e queda no passado", afirmou.

Diante do momento dos negócios na região, os especialistas não têm dúvidas: "quanto mais a Coreia do Norte conduz testes nucleares e balísticos, melhor" para o mercado, como ensina a RSIS.

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