Revolução Russa deixou sua marca na América Latina, diz o filósofo cubano

© Sputnik / Eduard Pesov / Abrir o banco de imagensParada dos atletas em homenagem ao 55 aniversário da Revolução de Outubro, Moscou, URSS, 7 de novembro de 1972
Parada dos atletas em homenagem ao 55 aniversário da Revolução de Outubro, Moscou, URSS, 7 de novembro de 1972 - Sputnik Brasil
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Os fenômenos políticos da esquerda latino-americana têm suas raízes na Revolução Russa que completa 100 nesta terça-feira, disse o filósofo cubano Enrique Ubieta, diretor da revista Cuba Socialista, à Sputnik.

"Todos nós que lutamos hoje pelo socialismo, a Justiça social, somos filhos da Revolução de Outubro, de Vladimir Ilyich Lenin (1870-1924)", disse Ubieta.

Para Ubieta, os revolucionários latino-americanos herdaram a estrada aberta na Rússia em outubro de 1917 (dia 7 de novembro, no calendário gregoriano).

"Viajamos por essa rota à nossa maneira, com nossas ideias e nossa criatividade, mas temos essa dívida histórica", disse ele.

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Esse antecedente é importante e está vivo porque o que parecia que ia "se apagar em meio da onda neoliberal na década de 1990 renasceu no continente, isto é, as raízes estão vivas", disse ele.

Para salvar a humanidade de sua autodestruição hoje é necessário lutar contra o imperialismo "predatório", acrescentou Ubieta. Ele ressaltou ainda que, após a derrubada do regime czarista na Rússia, houve "uma espécie de onda de choque" que deixou uma influência marcada na América Latina e no Caribe.

Lênin, o líder dessa revolução, abriu o caminho de forma inesperada, "em um grande país e multinacional, mas na periferia", e não como Karl Marx e Frederick Engels tinham previsto nas nações desenvolvidas, explicou.

Lênin, Martí e Cuba

Ubieta enfatizou que Lênin e o poeta e o herói da independência cubana José Martí (1853-1895) não se conheciam, mas concordaram com a advertência sobre o perigo do imperialismo, particularmente porque analisaram a emergência nos Estados Unidos.

Lênin descreveu tal fenômeno em seu livro Imperialismo, a Fase Superior do Capitalismo, no qual explicou que a primeira guerra com esse personagem ocorreu precisamente com a intervenção em 1898 da Marinha dos EUA em Cuba, quando o domínio espanhol já estava morrendo.

Martí, por sua vez, morou nos Estados Unidos de 1880 a 1895, viu e estudou a gênese desse sistema e advertiu em seus escritos sobre esse perigo para Cuba, Caribe e América Latina, disse Ubieta.

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Estas coincidências explicam por que, em agosto de 1925, quando um colaborador socialista idoso de Martí nos preparativos para a independência, Carlos Baliño, e o jovem estudante universitário Julio Antonio Mella fundaram o Partido Comunista de Cuba, em um congresso clandestino, uma foto do autor de Versos Simples e outra de Lênin presidiram a reunião, observou.

O governo de Cuba celebra a data nesta terça-feira com uma festa de gala política e cultural no Teatro Karl Marx, com um programa de atividades para o centenário da Revolução Russa.

Diversas formas de celebração têm ocorrido há várias semanas em todas as províncias cubanas e em instituições como a Biblioteca Nacional, o Instituto de História Cubana, a Amizade com os Povos, e o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias.

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