Bombardeiros norte-americanos no céu do Báltico: contra quem está dirigida esta ameaça?

© REUTERS / Tim ChongBombardeiro estratégico B-52 da Força Aérea dos EUA (foto de arquivo)
Bombardeiro estratégico B-52 da Força Aérea dos EUA (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Os EUA planejam reiniciar o patrulhamento permanente dos bombardeiros estratégicos B-52. Ainda é desconhecido quais serão seus percursos, mas no céu sobre o Báltico eles já foram detectados.

O comando das Forças Armadas dos EUA anunciou sobre a possibilidade hipotética de retomar os patrulhamentos de bombardeiros estratégicos B-52 com armas nucleares abordo que anteriormente foram usados apenas na época da Guerra Fria. Vladimir Barsegyan, autor da Rádio Sputnik Estônia, destaca que tais medidas podem ser explicadas pela tensão crescente entre Washington e Pyongyang, mas ao mesmo tempo sublinha que é muito difícil acreditar nisso.

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Até 1991, esses voos ao longo das fronteiras da URSS eram coisa de rotina. Segundo o plano existente naquela época, chamado de Lança Gigante, os bombardeiros estratégicos estadunidenses deveriam, em caso de ameaça de conflito militar, voar até às fronteiras da União Soviética e lançar mísseis de cruzeiro contra objetivos desde Murmansk até Moscou.

Durante dezenas de anos essas "fortalezas voadoras" estiveram sempre no ar. Mas na época da URSS, a Rússia estava "coberta" a ocidente pelos países do bloco socialista, que hoje em dia nem existe. Assim, os EUA podem ter a tentação de voar para mais perto da Rússia atravessando os países ocidentais. E eles já estão testando isso de alguma maneira, aponta Barsegyan, lembrando os casos de detecção dos B-52 no céu da Estônia durante manobras da OTAN.

Vale lembrar que as armas nucleares dos EUA já estão instaladas em muitos países da Europa. Além disso, a base aérea de Ramstein pode acolher os B-52 mesmo agora, sem qualquer preparação adicional.

"Assim, se os bombardeiros estratégicos forem deslocados para estas bases, o tempo de voo até à Rússia se reduzirá significativamente. Tal desenvolvimento da situação não pode deixar de preocupar, levando em consideração que incidentes perigosos podem ocorrer também nos tempos de paz", afirma Barsegyan.

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Apenas durante a época da Guerra Fria, a Força Aérea dos EUA perdeu 11 bombas nucleares. O incidente mais perigoso se deu na Espanha em 1966, quando em resultado de uma colisão um B-52 deixou cair quatro cargas nucleares. Em resultado da destruição de duas delas, aconteceu a emissão para a atmosfera de substâncias radioativas. Outras duas bombas ficaram intatas, mas levou muito tempo para encontrar uma delas, já que ela caiu no mar Mediterrâneo.

O autor lembra um símbolo triste da Guerra Fria — o relógio do possível apocalipse nuclear. No seu quadrante, o ponteiro sempre indicava cinco para as doze. Na época conseguiram tirar os brinquedos perigosos das mãos dos meninos fardados sem juízo. Parece que agora eles os obtiveram de novo, resumiu Vladimir Barsegyan.

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