Inovação russa: novo ramo de nanomedicina introduz micropartículas que curam doenças

© AFP 2022 / BRENDAN SMIALOWSKIMédico com uma siringa. Foto de arquivo
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O conceito de nanoteranóstica é difícil de compreender, mas muito útil para o futuro da medicina, explica especialista entrevistado pela Sputnik.

A Universidade Nacional de Energia Nuclear da Rússia, MEPhI, com o apoio do Ministério da Ciência e Educação e o Ministério da Saúde da Federação da Rússia, em cooperação com a Corporação Estatal Rosatom e o Cluster Farmacêutico de Kaluga, realizou o II Simpósio Internacional "Tecnologias Biomédicas de Engenharia Física". A Universidade foi visitada por mais de 250 eminentes pesquisadores em bionanotecnologias e nanomedicia do mundo inteiro (EUA, França, Reino Unido, Alemanha, Suécia, China, Índia). Um dos participantes principais do simpósio, professor da MEPhI e da Universidade Aix-Marselha (França), orientador científico do Instituto de Biomedicina e Engenharia Física, Andrei Kabashin, compartilhou com a Sputnik alguns detalhes sobre as inovações na área da nanoteranóstica.

Sputnik: Professor Andrei, nos explique por favor o que é a nanoteranóstica?

Andrei Kabashin: A nanoteranóstica é a área da medicina que combina a terapia e o diagnóstico à escala espacial de nanômetros. A influência sobre a doença, neste caso, é transmitida por nanopartículas que podem realizar uma função quando são sujeitas a um efeito de natureza ótica ou outra. Por exemplo, estas nanopartículas podem destruir um tumor oncológico local com a força do aquecimento. Ao mesmo tempo, a partícula pode ficar fluorescente durante o acionamento ótico, o que nos dá a possibilidade de a localizar. Além disso, ela pode ser portadora de um isótopo radiativo que, por sua parte, pode também realizar tanto a função terapêutica, como a visualizadora. Assim, temos um esquema de diagnóstico e tratamento de três níveis.

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S: Quais são os materiais que a nanoteranóstica usa? Que características eles devem possuir?

AK: Antes de tudo, estes materiais devem ser completamente livres de toxicidade e compatíveis com o organismo humano. Outra característica imprescindível é a "invisibilidade" para o sistema imunológico, caso contrário, o organismo simplesmente vai eliminá-los. Além disso, as nanopartículas não devem acumular-se dentro do organismo, e a sua superfície não deve ficar suja. Posso indicar, como um exemplo, o silício ou os materiais compósitos com presença de silício, que usamos ativamente nas nossas pesquisas.

S: Qual é a sua previsão sobre o futuro da nanoteranóstica? Quais são as tarefas atuais?

AK: A nossa tarefa atual concreta pode ser chamada metaforicamente de “matrimônio da nanoteranóstica e da medicina nuclear”. Nós consideramos que a união dos métodos da nanomedicina com o uso de nanomateriais ultralimpos biodegradáveis e os métodos únicos da MEPhI na área da síntese de isótopos radiativos abre a perspectiva de criação de tecnologias inovadoras da nanoteranóstica no diagnóstico e no tratamento das doenças oncológicas.

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Uma particularidade única da nanoteranóstica é a eliminação de tumores malignos e as suas respectivas metástases por métodos não invasivos com precisão subcelular, definida pelo tamanho da zona de ação das nanopartículas. Os nanomateriais biodegradáveis ultralimpos que nós usamos permitem encontrar um tumor de tamanho minúsculo e eliminá-la retirando a totalidade das nanopartículas do organismo sem efeitos colaterais. A eliminação é realizada através dos rins, o que é mais seguro para o organismo do que a eliminação através do fígado.

Do ponto de vista da pesquisa, os nossos projetos representam um avanço considerável. Mas o objetivo final é aplicar as nossas descobertas médicas na prática. O próximo passo será demonstrar a vetorização (direção das nanopartículas) dos remédios em tumores modelo e depois realizar testes clínicos em colaboração com os médicos.

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