Poderá Força Aérea do Irã vencer aviões dos EUA em uma guerra?

© AFP 2022 / YOUNES KHANI / MEHR NEWSCaça da produção doméstica iraniana F-313
Caça da produção doméstica iraniana F-313 - Sputnik Brasil
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Em tempos uma das maiores e mais poderosas forças aéreas do mundo, a Força Aérea da República Islâmica do Irã (IRIAF na sigla em inglês) é uma mera sombra do que foi, opina Kyle Mizokami, o autor de um artigo no The National Interest.

A guerra e décadas de sanções incapacitantes reduziram a outrora tão gloriosa força aérea do Irã a uma coleção de aeronaves militares envelhecidas de valor duvidoso, opina Kyle Mizokami.

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O longo declínio das capacidades aéreas do Irã significa que o país quase não tem capacidades para garantir a segurança do seu próprio espaço aéreo e não pode conter sequer os rivais regionais, sublinha o autor no seu artigo no The National Interest.

Irã, tendo sido um aliado dos EUA durante o reinado do xá Mohammed Reza Pahlevi (1942-1979), adquiriu grande quantidade de material militar norte-americano, incluindo mais de 179 caças F-5A/B Freedom Fighter e F-5E/F Tiger II, 225 caças F-4D, F-4E e RF-4E Phantom II, 56 aviões de transporte C-130 Hercules, 6 aviões de patrulhamento P-3 Orion e 6 KC-135 Stratotanker, afirma a publicação. Além disso, o Irã também adquiriu 80 caças F-14A Tomcat com mísseis de longo alcance AIM-54 Phoenix.

Essa força aérea poderosa devia servir os interesses dos EUA, mas caiu nas mãos de um governo revolucionário em 1979, quando o xá foi deposto. O novo governo iniciou purgas entre os militares para se livrar dos que eram leais ao xá, e isso levou à perda de prontidão de combate das forças armadas do Irã.

A força aérea avançada do Irã e a readmissão de pilotos e pessoal técnico despedido pelo novo governo preservaram o Irã de perder a superioridade aérea para o Iraque. O novo regime, que tornou os EUA em "Grande Satã", enfrentou o embargo à venda de peças e equipamentos sobressalentes necessários para os aviões de combate, o que limitou ainda mais a capacidade da sua Força Aérea para combater com todo o seu potencial, informa Kyle Mizokami.

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Após a guerra com o Iraque, a Força Aérea do Irã ficou sem a maioria dos aviões de combate adquiridos anteriormente e mesmo as novas compras de MiG-29 à União Soviética e de F-7 Chengdu chineses não reforçaram muito a sua capacidade militar.

A hostilidade do Teerã para com o Ocidente e o seu programa nuclear provocaram mais sanções ocidentais. De acordo com o Flight International, agora a Força Aérea do Irã possui 42 F-4 Phantom II, 24 jatos de combate F-5, 20 MiG-29, 17 F-7, 23 Su-24 e 9 caças Mirage F-1 capturados durante a guerra com Iraque. Além disso, segundo a publicação, a Força Aérea da Guarda Revolucionária do Irã (uma força separada que faz parte da Guarda Revolucionária) possui mais 10 Su-25 capturados ao Iraque.

Apesar do seu envelhecimento, a Força Aérea do Irã tem sido utilizada muitas vezes durante as operações contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e nos outros países). Os F-14 Tomcat escoltaram bombardeiros da Força Aérea da Rússia que atacaram alvos na Síria e os F-5 Tiger iranianos, bem como os F-4 Phantom e Su-24 Fencer também participaram das operações contra terroristas.

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Mas, de acordo com Kyle Mizokami, esses caças já têm 30 a 50 anos e seriam abatidos sem problemas durante um conflito com um país com forças armadas mais avançadas.

Irã tentou lançar sua própria indústria aeronáutica militar, mas os resultados foram decepcionantes. Em 2007, o Irã introduziu o caça Saegheh, uma versão com duplos estabilizadores verticais do F-5 Tiger que, de acordo com a mídia iraniana, "é um alvo mais difícil para os radares devido à sua maior manobrabilidade". Em 2013, Irã introduziu o protótipo do "caça furtivo" Qaher-313, que parecia tão pequeno que os joelhos do piloto eram visíveis no cockpit, informa o The National Interest. A nova versão mostrada em 2017 parecia maior, mas muitos analistas continuam expressando dúvidas sobre a capacidade de voo dele.

Após décadas de negligência, a Força Aérea do Irã está em situação muito difícil. A capacidade de o país poder modernizar a sua força aérea depende em muito da sua aceitação das demandas da ONU sobre o seu programa nuclear. Ainda neste caso, a hostilidade do Irã para com os seus vizinhos do Oriente Médio, o Ocidente e Israel, vai forçar muitos fornecedores de armas, incluindo a Rússia, a evitar contratos com o país. Só a reaproximação aos seus inimigos jurados poderia restituir suas capacidades à Força Aérea do Irã, mas não parece que isso aconteça, concluiu Kyle Mizokami.

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