Por que Trump 'nunca vai recorrer a confronto militar' com Irã

© REUTERS / Eduardo MunozDonald Trump, presidente dos Estados Unidos
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Espera-se que, nesta semana, o presidente norte-americano Donald Trump apresente sua estratégia revisada quanto ao Irã. Vários especialistas acreditam que o presidente dos EUA vá optar por revogação do acordo do programa nuclear de Teerã.

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Analistas iranianos contaram a Sputnik Persa que seu país planeja ações de resposta a qualquer decisão norte-americana que possa vir a ser tomada e explicou por que os EUA nunca vão recorrer a conflito militar.

"A República Islâmica do Irã planeja ações elaboradas caso os EUA decidam abandonar o acordo nuclear, o assim chamado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, em inglês). O presidente Trump é um homem imprevisível e não é fácil prever suas ações com antecedência", explicou à Sputnik o ex-embaixador iraniano na Síria e conselheiro do ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Sheikholeslam.

Ele assinalou que seu país está se preparando para qualquer decisão dos EUA, tomando em conta a importância do acordo nuclear não apenas para a segurança do Irã, mas para o Oriente Médio e para o mundo inteiro.

Até o final dessa semana, o presidente norte-americano deve anunciar sua decisão se o Irã age em conformidade ou não com o acordo firmado em 2015 entre Teerã e os cinco membros do Conselho de Segurança mais a Alemanha, o que anteriormente Donald Trump qualificou de "vergonhoso" e "um dos piores acordos já firmado pelos EUA".

Hossein Sheikholeslam disse à Sputnik que os EUA sabem muito bem que Teerã cumpre o acordo e não tem intenções de violá-lo no futuro. O acordo é tão importante para o país que é discutido pela equipe presidencial especial trimestralmente. O político iraquiano afirma que o Irã está seguindo de forma clara todos os termos do JCPOA, a questão agora depende dos EUA e sua execução do acordo.

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Assinado pelos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China, União Europeia e Irã, o acordo aliviou as sanções contra Teerã em troca da interrupção do programa nuclear do país.

Três meses atrás, Trump deixou claro que ele não vai certificar a conformidade das ações do Irã com o acordo. Contudo, seus aliados europeus o advertiram contra tal ação. 

Comentando a possível decisão do presidente norte-americano e suas consequências, o diplomata iraniano disse que qualquer que ela seja, Trump não serão capazes de iniciar guerra contra o Irã.

"Temos aliados importantes e nossa situação interna é muito estável. É completamente claro que caso nossos oponentes lancem uma guerra na região ou contra nós, estes não serão capazes de lidar conosco e vão sofrer derrota imediata", afirmou ele.

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Hamid Reza Gholamzadeh, especialista em assuntos dos EUA, compartilha esta opinião.

"Os EUA não estão preparados para guerra, a situação atual na região e no mundo inteiro é diferente da anterior. Confronto militar entre Washington e Teerã é muito improvável. O Irã é uma potência regional e caso os EUA desencadeiem alguma operação militar semelhante a da Síria, o Irã e seus aliados vencerão", disse ele à Sputnik.

O especialista recordou que no início da guerra na Síria, os EUA insistiam que "o presidente [Bashar] Assad teria de ir embora". Contudo, naquela época, o Irã afirmou que ele deve permanecer e cabe aos sírios decidir quem deve governar o país.

"Como podemos observar hoje, o Irã tinha razão. Quer dizer, apesar de todas as vantagens econômicas e materiais [dos EUA], as ações do Irã na Síria foram mais bem-sucedidas. Para os EUA, não seria fácil acatar Teerã", disse ele.

Além do mais, o especialista explicou que deve existir um motivo e um suporte internacional para iniciar uma guerra. "Os EUA não têm nem o primeiro, nem o segundo. Qualquer guerra com o Irã resultará na instabilidade completa da região, elevação dos preços do petróleo, influxo de refugiados ao Ocidente e crise global. Então, todas as ameaças de guerra não passam de blefe", ressaltou ele.

Hamid Reza Gholamzadeh disse que o presidente norte-americano está tentando restringir as habilidades do Irã sem gastar seus próprios recursos para isso. Porém, essas tentativas enfrentaram oposição séria: Rússia, China e Europa já se opuseram às ações dos EUA, concluiu ele.

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