Especialista: governo espanhol quis mostrar serem 'muito machos' na crise da Catalunha

© AP Photo / Manu FernandezPolícia espanhola na Catalunha, 1 de outubro de 2017
Polícia espanhola na Catalunha, 1 de outubro de 2017 - Sputnik Brasil
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Quando a onda do movimento independentista catalão começou a "sufocar" implacavelmente o governo espanhol, o premiê do país, Mariano Rajoy, decidiu fazer os catalães que quiseram votar se afogarem em um mar sangrento de porretes e balas de borracha.

O conflito se tornou ainda mais doloroso por se travar entre habitantes do mesmo país. A Espanha ficou, ao final, dividida. Além disso, as partes opostas ficaram claramente definidas: por um lado, os que se manifestam pela independência e, por outro, os que acreditam em uma Espanha unida.

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Porém, em ambos os lados há catalães e não catalães. Além disso, existe um terceiro ator da crise — aqueles que não seguram bandeiras, mas consideram uma Espanha federalizada como a única maneira de salvá-la.

Desde 1 de outubro, ninguém chegou a assumir responsabilidade. Bem como em qualquer outra batalha importante, todos tomam posturas resolutas. Quando Rajoy, ao final, decidiu agir, o fez mal, pelo visto devido à falta de hábito.

O premiê espanhol escolheu a estratégia de presença invisível, se comunicando com a mídia através das telas de TV, se convertendo no primeiro "premiê de plasma".

Em relação a isso, o professor da Universidade Complutense de Madri, Armando Fernández Steinko, explicou à Sputnik Mundo que nas vésperas do referendo o "governo de Rajoy poderia se opor aos nacionalistas em limites muito estreitos, sem direito ao erro. E o começo foi bom: receberam a promessa de uma resposta proporcional".

De acordo com o analista, isso concedeu às autoridades espanholas "uma espécie de liberdade moral, já que as partes tomaram posições assimétricas: Puigdemont, presidente da Generalidade da Catalunha, não estava disposto a conduzir negociações, pois já tinha um plano preparado. As autoridades de Madri, por sua vez, queriam agir de forma recíproca".

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Mas quando chegou o dia do referendo, a Guarda Civil e a Polícia Nacional desembarcaram em Barcelona e tentaram, de modo violento, impedir o voto daqueles que gostariam de escolher a independência. De acordo com Armando Fernández Steinko, nisso consistiu o erro mais crasso do premiê espanhol.

"Parece que o governo de Rajoy quis provar que eles eram muito machos e mostrar que na Catalunha ninguém vota", observou.

De acordo com o especialista, muitas pessoas ainda não tomaram consciência de toda a escala da situação criada na Espanha após o referendo.

"Os espanhóis apostaram tudo, e isso é aquilo que Puigdemont queria, ou seja, que isso fosse uma batalha final. Conheço pessoalmente esta atmosfera, tanto na Catalunha, como em Madri, e ela é muito complicada", pormenoriza.

O fogo da briga é alimentado por ambas as partes, mas Rajoy recorreu a um mecanismo mais propagandista, chamando o referendo de "ilegal", embora a Justiça espanhola não tivesse apresentado tal decisão.

"Não apoio nem um, nem outro dos lados. É a minha existência que está em jogo. […] E há muitas pessoas como eu, embora a mídia não fale sobre elas. Mas seria bom, às vezes, permitir que nós também tenhamos direito de expressão", sustentou.

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