Por que é improvável que a Coreia do Norte use armas nucleares contra Coreia do Sul?

© REUTERS / KCNA Lançamento do míssil balístico intercontinental Hwasong-12 (29 de julho, 2017)
Lançamento do míssil balístico intercontinental Hwasong-12 (29 de julho, 2017) - Sputnik Brasil
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A Coreia do Norte caminha para se tornar uma potência nuclear e, embora a retórica dos Estados Unidos seja de que jamais irá permitir isso, para os vizinhos de Pyongyang o temor só se faz aumentar – ainda mais se o país asiático, de fato, obtiver uma bomba de hidrogênio, 4.000 vezes mais poderosa do que a bomba que destruiu Hiroshima em 1945.

O desenvolvimento de armas nucleares foi algo que a Coreia do Sul abriu mão em 1991, quando da assinatura de um acordo com os Estados Unidos – do qual o Norte também participava, pelo menos no papel. Mas Pyongyang nunca honrou a sua parte. E, pela sua sobrevivência, o país obteve "provas" de que o Ocidente não é sempre digno de confiança.

Que o digam o líder líbio Muammar Khaddafi, que costurou um acordo para não desenvolver armas nucleares e, deixado à própria sorte pelos países ocidentais, acabou sendo morto pelo seu próprio povo, em 2011. O iraquiano Saddam Hussein também ensaiou desenvolver as suas armas de destruição em massa, mas aceitou termos do Ocidente, para ser derrubado no início dos anos 2000.

Soldado sul-coreano passa por uma TV que transmite uma reportagem a respeito do mais recente teste com mísseis da Coreia do Norte. Dia 7 de junho de 2017 - Sputnik Brasil
Coreia do Norte ameaça Japão com 'nuvens nucleares'

Mais longe do Oriente Médio e mais perto da Coreia do Norte está Seul, capital sul-coreana com mais de 10 milhões de habitantes e que tem, a poucos quilômetros de distância, canhões apontados contra si. Pyongyang poderia abrir fogo a qualquer momento com sérias perdas na cidade. Pior: e se usasse armas atômicas contra a Coreia do Sul? Possível? Mais eficaz?

Em artigo publicado no jornal The Korea Times nesta terça-feira, o editorialista Oh Young-jin relembrou que a possibilidade, embora exista nas mentes de pessoas de todo o mundo, não seria a mais sensata para o líder norte-coreano Kim Jong-un. Não, ele não veria com maus olhos a ideia do Norte de tomar o Sul pela força – como foi em 1950, no início da Guerra da Coreia –, mas o risco não valeria a pena.

"O verdadeiro dilema é que o Norte seria exposto ao mundo exterior e forçado a desbloquear seu reino hermeticamente fechado. Kim poderia manter seu controle em uma Coreia unificada em seus termos? Isso é altamente improvável. A razão pela qual o mundo livre prevaleceu sobre os comunistas pode ser explicada por muitos fatores, mas um é a natureza fechada do comunismo que tornou seu sistema fraco para influências externas. Pode ser comparado a um vampiro que é confrontado com o último batismo de luz solar", escreveu.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala ao lado do secretário de Estado, Rex Tillerson, durante uma reunião bilateral com o presidente da China, Xi Jinping, na propriedade de Trump, Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida. - Sputnik Brasil
EUA só querem falar com a Coreia do Norte por um motivo. E não é pelo programa nuclear

Assim sendo, a meta de unificação da Península da Coreia sob o governo de Pyongyang parece distante de ser uma prioridade. Imaginar que o uso de armas nucleares contra Seul também seja uma possibilidade real é esquecer-se do desenvolvimento acelerado de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), com os quais seria possível atingir os Estados Unidos.

Além disso, a necessidade de obter uma arma confiável, e que possa levar consigo uma ogiva nuclear miniaturizada, parece seguir sendo o foco da atenção de Kim. Para a China e para a Rússia, a manutenção do governo de Kim é importante para impedir uma expansão da presença norte-americana na região – Pyongyang demanda a saída de tropas dos EUA para iniciar qualquer negociação, provavelmente sabendo que isso nunca ocorrerá.

"Escravizar o Sul maior e mais forte, com a ameaça de armas nucleares, é exagerado para dizer o mínimo. O Sul naturalmente seguiria o seu próprio armamento nuclear ou tentaria anular a ameaça do Norte. Em pouco tempo, o Sul alcançaria o equilíbrio de poder, empurrando o Norte para um canto novamente", explicou Oh.

A sobrevivência do governo norte-coreano sob o manto comunista depende do desenvolvimento – e não do uso – de armas nucleares. É o "possível" uso que poderá impedir a sua extinção. Qualquer outro cenário (incluindo o uso contra Seul para unificar a península) só aceleraria uma guerra, cujo desfecho seria trágico em última instância para a dinastia de Kim Jong-un.

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