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Rússia na cooperação nuclear com o Brasil: Rosatom e Eletronuclear fecharão acordo?

© AP Photo / Felipe DanaUsina nuclear da Angra dos Reis
Usina nuclear da Angra dos Reis - Sputnik Brasil
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A Rosatom, tradicional empresa russa na produção de energia nuclear, poderá se associar à brasileira Eletronuclear para a conclusão das obras de Angra 3. A medida, que já vem sendo cogitada há algum tempo, ganhou corpo na semana passada durante o encontro entre os Ministros do Exterior do Brasil e da Rússia, Aloysio Nunes Ferreira e Sergei Lavrov.

O encontro entre os dois chefes das diplomacias dos seus países aconteceu às margens da 72ª Assembleia Geral da ONU na semana passada. Os dois ministros trataram do interesse russo em participar das obras de conclusão de Angra 3 e, também, da participação de empresas de petróleo da Rússia na camada pré-sal.

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No que diz respeito, especificamente, às obras de conclusão de Angra 3, a Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o engenheiro eletricista Marcelo Gomes, chefe do Departamento de Desenvolvimento de Novos Empreendimentos da Eletronuclear, empresa responsável pelas usinas nucleares Angra 1, Angra 2 (ambas em funcionamento) e Angra 3 (em fase de retomada de construção). Marcelo Gomes se mostrou entusiasmado com a possível participação da Rosatom nas obras de conclusão de Angra 3 e deu as boas vindas à empresa russa:

“Nós entramos em contato, na busca de um parceiro internacional que tivesse comprovada experiência no ramo da construção de usinas [nucleares] e que pudesse nos ajudar nisso. E a Rosatom foi uma dessas empresas com as quais nós entramos em contato. É inegável a experiência e a capacidade técnica da Rosatom. Hoje em dia, ela é uma empresa que, fora do seu país, mais constrói empresas nucleares em outros países e tem, portanto, muita experiência nessa atuação internacional. Seu projeto é um dos mais avançados, então [a Rosatom] é um parceiro que pode nos ajudar bastante nessa conclusão [de Angra 3]. Há um interesse mútuo. A gente já vem conversando há algum tempo, e a Rosatom é muito bem-vinda à essa manifestação de possibilidades de a gente vir a participar junto desta conclusão.”

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Trinta e três anos após ter as obras iniciadas, obras estas que estão paralisadas desde 2015 por razões econômicas, Angra 3 consumiu até agora 7 bilhões de reais em sua construção e necessita de mais 17 bilhões de reais para ser concluída. A opção no momento é prosseguir com o investimento, mediante associação a um parceiro internacional, ou arcar com gastos adicionais de 12 bilhões de reais para a descontinuidade da usina. A verba seria utilizada na quitação de empréstimos bancários de altíssimos valores, desmonte da estrutura, destinação de máquinas e equipamentos e ainda a quitação de outros compromissos financeiros.

Mas, segundo o engenheiro Marcelo Gomes, a tendência é pela continuidade das obras até sua conclusão e entrada em funcionamento da usina. O engenheiro explicou de que forma se daria a participação da empresa russa neste processo final de obras de Angra 3:

“Seria, basicamente, a Rosatom entrar com a sua experiência em construção e coordenação de projetos, administração de obras, e [fornecimento] de alguns suprimentos que ainda não estão lá [em Angra 3] e dos quais poderá participar.”

Ainda de acordo com Marcelo Gomes, os planos para Angra 3 são  a retomada das obras em junho de 2018, devendo estar concluídas em dezembro de 2024. Com capacidade plena de funcionamento, Angra 3 poderá gerar 1.405 megawatts (MW). Hoje, juntas, Angra 1 e Angra 2 produzem 1.990 MW.

Além dos entendimentos com a Rosatom para conclusão de Angra 3, a Eletronuclear também tem conversado com empresas de energia nuclear dos Estados Unidos, Coreia do Sul, China e França.

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