Espanha teria cumprido ordens dos EUA ao expulsar embaixador norte-coreano?

© AFP 2022 / LLUIS GENECao de Benós enviado especial da Coreia do Norte para as relações culturais
Cao de Benós enviado especial da Coreia do Norte para as relações culturais - Sputnik Brasil
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O Ministério das Relações Exteriores da Espanha classificou Kim Hyok Chol, embaixador da Coreia do Norte na Espanha, como "persona non grata". Em entrevista à Sputnik Mundo, o delegado especial da Coreia do Norte para relações culturais com países estrangeiros, Alejandro Cao de Benós, criticou duramente a decisão do governo espanhol.

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Para ele, a decisão das autoridades espanholas, mexicanas e chilenas de expulsar diplomatas norte-coreanos é vergonhosa e "prova mais uma vez que tais países como o México e Peru não têm soberania alguma, nem capacidade de tomar decisões sobre o seu futuro", acrescentando que a medida se trata de ordem direta dos EUA.

"Lembro um caso recente no Chile onde Michelle Bachelet foi praticamente forçada a cortar as relações com a Coreia do Norte, mas demonstrou a sua soberania, insistindo que a expulsão de embaixador pode ser provocada apenas por razão ponderável. Mas há tais países, como Espanha, que têm que servir como sempre aos interesses do império norte-americano, quando na verdade não há conflito ou problema bilateral com a República Popular Democrática da Coreia."

A expulsão do embaixador pela Espanha mostra mais uma vez a servidão de uns países e a dignidade de outros, como é o caso do Chile, que rejeitou a ordem dos EUA, opina o delegado especial em entrevista para a Sputnik Mundo.

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Como Coreia do Norte pode responder à expulsão de seus diplomatas? O político acredita que de duas maneiras: "pode decidir aceitar a decisão e, neste caso, enviar outro embaixador ou, pelo contrário, tomar medidas em resposta à decisão unilateral da Espanha. Isso vai depender da decisão do ministério norte-coreano quando seu embaixador voltar a Pyongyang".

Quanto às funções exercidas pelo embaixador norte-coreano em terras espanholas, o delegado especial disse que ele "atendia empresários, visitava muitas empresas por toda a Espanha, universidades, dava palestras… também foram organizados intercâmbios educacionais de jovens norte-coreanos para praticar futebol e outros esportes na Espanha e, na verdade, houve um interesse crescente no nível artístico, cultural e de negócios para conhecer uns aos outros e, nesse sentido a função do embaixador era representar a nação, a república, para abrir a porta e facilitar este tipo de intercâmbios. Com minha experiência desde os anos 90, acho que as relações estavam ‘crescendo’ muito rapidamente e praticamente sem pessoal. Então, agora, a situação vai se tornar ainda mais complicada e a embaixada ficará praticamente sem funcionários para atender a demanda".

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O político ressalta que não só um diplomata foi expulso, mas dois, onde a primeira expulsão aconteceu aproximadamente no dia 5 de setembro: "Obviamente, não podia ser o embaixador, porque não se pode ter uma embaixada sem um embaixador, o secretário que temos é o único que fala bem espanhol – porque o embaixador, todavia, precisa de um intérprete – e o terceiro funcionário [que foi expulso] exercia as funções de conselheiro, cônsul de visto etc. Todo o resto do trabalho. Por ter ficado apenas duas pessoas, o embaixador e o secretário, então ficou certo que tinha sido ele quem voltou para seu país. Se procederem a esta expulsão [do embaixador] agora, ficaria apenas um funcionário, tendo que ver se o embaixador seria substituído ou que vai acontecer".

​O diplomata norte-coreano terá que abandonar a Espanha antes do dia 30 de setembro, segundo a informação publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da Espanha no Twitter.

Madri argumentou que os sucessivos testes nucleares e balísticos da Coreia do Norte "violam as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas" e "prejudicam o regime de não proliferação nuclear", representando uma "séria ameaça à paz na região e à segurança global".

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