'Potencial de mísseis do Irã representa ameaça séria para possíveis inimigos do país'

© AFP 2022 / ISNA / Amin KhoroshahiMilitares iranianos se preparam para lançar um míssil (foto de arquivo)
Militares iranianos se preparam para lançar um míssil (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Em 2 de agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou a lei aprovada pelo Congresso sobre a introdução de novas sanções, inclusive contra o Irã para punir o país pelo programa de mísseis que está em pleno desenvolvimento. O Irã aumentou logo o orçamento do programa de 300 milhões de dólares para 500 milhões.

Cientista político e especialista em assuntos do Oriente Médio, Vladimir Sazhin, explica à Sputnik Persa o atual estado do programa nuclear do Irã, quem se pode sentir ameaçado por ele e como os mísseis afetam a política em torno deste país.

"O programa de mísseis do Irã, solidamente fundamentado na cooperação entre o Irã, Coreia do Norte e China, se está desenvolvendo muito rapidamente já por três décadas", destaca o especialista.

Tudo começou na década de 80, quando o Irã comprou à Coreia do Norte, Líbia e Síria mísseis da produção soviética Scud-B e Scud-C que, após modificação iraniana, receberam os nomes de Shahab-1 e Shahab-2.

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Ao longo dos últimos anos, o Irã comprou e modificou vários mísseis de curto alcance, mas a maior atenção sempre foi dada à criação de mísseis que possam atacar alvos a longas distâncias. Com base na família Shahab e com uso de tecnologias norte-coreanas, foi criado o Shahab-3 com alcance de até 1.700 km que deu início à produção da nova série Qadr com três mísseis: o Qadr-101, com um único estágio e alcance de 800 km, o Qadr-110, de dois estágios com 2.000-2.500 km de alcance, e o Qadr-110A com alcance até 3.000 km.

Primeiramente, os especialistas iranianos usaram a experiência chinesa em tecnologias de criação de mísseis de curto alcance e obtiveram sucesso. Em 2009, foi testado o míssil de combustível sólido de dois estágios Sajil, cujo alcance atinge de 2.200 até 3.000 km. Desde então, o Irã inicia a tendência de desenvolver mísseis de combustível sólido em vez de líquido, o que aumentou significativamente sua capacidade de combate.

"Em geral, os iranianos atingiram vários êxitos na área de mísseis. Eles criaram mais de 20 mísseis de várias classes. Todos eles são móveis e perfeitamente adaptados para serem usados em várias partes do país. O potencial de mísseis do Irã representa uma ameaça séria para os inimigos e adversários do país", advertiu especialista.

A aliança do Irã e Coreia do Norte na área de mísseis representa uma ameaça ainda mais séria por mostrar ritmos de desenvolvimento muito acelerados. A cooperação estreita entre estes países pode tornar realidade os planos mais ambiciosos do Irã na área de construção de mísseis.

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Apesar de todas as acusações em relação ao Irã, Vladimir Sazhin frisa que o Irã não violou nada desenvolvendo seu programa de mísseis, pois o Plano de Ação Conjunto Global não proíbe testes de mísseis, enquanto a resolução 2231 contém apenas o apelo a se abster das atividades ligadas aos mísseis.

Por isso, explica o analista, nunca foram apresentadas acusações diretas, o Irã apenas foi acusado de violar o "espírito" do Plano de Ação Conjunto Global. No entanto, a punição por essa violação abstrata resultou na introdução de sanções.

"Para ser justo, há que sublinhar que mesmo que o Irã não viole nenhum acordo internacional, o desenvolvimento do potencial de mísseis numa região explosiva como o Oriente Médio não contribui para estabilidade", disse o analista.

Em conclusão, Sazhin destaca que o programa de mísseis é apoiado por todas as formações políticas do Irã. É o programa de mísseis que une todos os rivais políticos, porque este programa é o orgulho nacional. Por isso, a pressão direta sobre o país por causa de seu programa de mísseis não dará resultado. Tem que se buscar meios terapêuticos, concluiu o cientista político.

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