Especialista: Israel corre risco de cair em uma perigosa dependência da China

© AFP 2023 / Mark RalstonBandeiras de Israel e China em Pequim (foto de arquivo)
Bandeiras de Israel e China em Pequim (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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As relações entre Pequim e Tel Aviv se desenvolvem de forma estreita. O especialista em assuntos de Israel Dmitry Maryasis, da Academia de Ciências da Rússia, explica em seu artigo para o Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia as consequências que esta cooperação económica e militar pode ter para o futuro deste país do Oriente Médio.

Hoje, a China empreende esforços notáveis para a promoção de uma economia de tipo inovador. A intensificação da expansão econômica e comercial de Pequim se destaca cada vez mais, aponta o analista. Neste caso, a posição geográfica de Israel o torna muito atraente para o gigante asiático.

Cooperação técnico-militar

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Atualmente, Israel ocupa o segundo lugar, depois da Rússia, na cooperação técnico-militar com a China. Tel Aviv exporta para a China sistemas eletrônicos de controle de fogo destinados à Marinha, aparelhos de ótica e comunicação, mísseis de cruzeiro e mísseis ar-ar, veículos aéreos não tripulados, simuladores de aviação e outras armas de alta tecnologia.

A cooperação técnico-militar com Israel é parte importante do programa de desenvolvimento das Forças Armadas da China e da indústria militar do país.

"É surpreendente que Israel prefira não se dar conta (pelo menos abertamente) do sucesso comercial das armas chinesas nos países muçulmanos do Oriente Médio, em particular no Irã", salienta Maryasis.

Pelo contrário, no desenvolvimento da cooperação técnico-militar entre Israel e a Rússia, o problema da cooperação de Moscou com estes mesmos países adquire grande relevância. A razão reside, provavelmente, nos aspectos econômicos da cooperação sino-israelense, diz o analista.

A Rússia, até agora, apesar de manter uma estreita cooperação política em questões de segurança, não oferece a Israel outras formas de colaboração na esfera econômica e científica, aponta o especialista.

Desenvolvimento da infraestrutura israelense

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Através dos projetos de infraestrutura, os chineses passaram a controlar o porto de Asdode, e o de Haifa, dois dos três portos de Israel, onde se localizam as bases da Marinha israelense.

Além disso, a China se mostrou interessada na construção de uma linha ferroviária entre o centro de Israel e o porto de Eilat, no mar Vermelho, e também está envolvida na construção do metrô ligeiro em Tel Aviv e no túnel do Monte Carmelo, em Haifa. Depois de enumerar todos estes projetos, o analista chega à conclusão de que a China poderia considerar seriamente Israel como um centro logístico entre a Europa e a Ásia.

Participação em negócios israelenses

Entre as aquisições mais notáveis de companhias israelenses pela China estão, por exemplo, a Makhteshim Agan Industries (fabricante de produtos de proteção de culturas), comprada pela ChemChina em 2011, a aquisição do maior produtor de produtos lácteos de Israel Tnuva pela empresa chinesa Bright Food em 2014 e, finalmente, a compra da marca israelense de cosméticos do mar Morto Ava, pela companhia Fosun em 2016.

Nos últimos anos, tanto os investidores privados, como os governamentais chineses demonstraram interesse em adquirir pequenas empresas israelenses inovadoras.

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Basicamente, se interessam pelas tecnologias israelenses de Internet, segurança cibernética, equipamentos médicos, fontes alternativas de energia, tecnologias agrícolas.

Em 2015, o investimento da China em empresas israelenses era pelo menos de 1 bilhão de dólares, enquanto que, em 2016, se elevou aos 16.500 milhões de dólares.

Ainda que os israelenses valorizem positivamente o interesse chinês, isso poderia significar para eles uma séria dependência deste país. Até agora parece que as elites políticas e econômicas de Israel não o compreenderam completamente, sustenta Maryasis.

Combinar a atividade política sino-israelense com uma intensa cooperação econômica e militar pode trazer resultados inesperados no futuro próximo, em particular para a solução do conflito árabe-israelense, resume o pesquisador.

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