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'Problema do agronegócio no Brasil é da porteira para fora'

© Vilmar da Rocha/Agência Preview/Fotos PúblicasFeira no Rio Grande do Sul, a 40ª Expointer, pode gerar negócios de R$ 2,9 bilhões
Feira no Rio Grande do Sul, a 40ª Expointer, pode gerar negócios de R$ 2,9 bilhões - Sputnik Brasil
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Flávio França Júnior, diretor da França Jr. Consultoria, com sede em Porto Alegre, é um dos especialistas mais familiarizados com os problemas do agronegócio brasileiro, que está reunido em peso na 40ª Expointer, até 3 de setembro, na cidade de Esteio (RS). "O problema do agronegócio é da porteira para fora", disse ele em entrevista à Sputnik.

O evento, um dos maiores do mundo e considerado a maior feira da agropecuária a céu aberto na América Latina, reúne milhares de visitantes e centenas de expositores dos diversos setores do agronegócio, da produção, passando por inovações tecnológicas, equipamentos para o campo, produtos e serviços de fornecedores brasileiros e estrangeiros. A edição deste ano está espalhada em uma área de 141 hectares, com 45 mil m² de pavilhões cobertos, 70 mil m² de área de exposição, nove espaços para leilões, com exibição de 3.207 animais de 88 raças, além de postos médicos, restaurantes, agências bancárias e salões de conferência. A estimativa dos organizadores é do fechamento de negócios de cerca de R$ 2,9 bilhões.

França Júnior ressalta dois aspectos importantes para o agronegócio que estão sendo debatidos no encontro: o uso crescente da tecnologia, que vem permitindo maiores avanços na agricultura e na pecuária, e a questão da mecanização no campo. Para o consultor, o agronegócio é hoje talvez o único setor da economia pujante, com reflexo na produção, no emprego e na renda, além de contribuir de forma significativa para o saldo da balança comercial do país. Segundo ele, após dois, três anos de recessão, a situação poderia estar muito pior não fosse a atuação do agronegócio.

"O setor de máquinas agrícolas é o que mais tem sofrido com essa crise. Foram três anos muito ruins para o setor de máquinas, e agora a gente já percebe uma situação de melhoria. O setor de máquinas é quase o único dentro do agro em que é possível você represar o consumo, se adia a compra de uma máquina nova, de uma colheitadeira, de um trator. Você dá um remendo na velha até que você possa ter mais tranquilidade, mais segurança. É o que mais apanha numa situação de incertezas, mas também é o primeiro que, geralmente, mostra sinal de recuperação", diz o diretor da França Jr.

Agricultura 2017 - Sputnik Brasil
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Campo fértil para o agronegócio brasileiro em 2017

Com relação à oferta de financiamento agrícola, o consultor admite que os últimos anos foram complicados diante da escassez do crédito e aumento das taxas de juros. Ele lembra que, no primeiro plano agrícola do ano passado, o primeiro da gestão do presidente Michel Temer, houve alguma melhoria no volume, mas sem alteração nas taxas. Na edição deste ano, divulgada em junho, e que vale para a Safra de Verão, França Júnior diz ter havido aumento no volume de crédito e um certo recuo nos juros. O mais importante, segundo o consultor, é que cresceu o volume de recursos com juros controlados pelo governo, o que faz o produtor pagar hoje uma taxa de 6,75% a 10% ao ano na tomada de financiamentos. 

"O volume de recursos que o governo disponibiliza para o agronegócio (custeio, comercialização e investimento) cobre aproximadamente de 25% a 30% do total da demanda de crédito do setor. O resto é autofinanciamento pelos próprios produtores ou recursos do próprio setor. Muita gente fala: 'Ai, o agro isso, o agro aquilo'. Todos os países desenvolvidos têm volume de crédito disponível ao produtor e garante a segurança alimentar do país. Aqui no Brasil isso não acontece."

Apesar dessa limitação, França Júnior afirma que o agronegócio brasileiro tem avançado muito na pesquisa agrícola e na genética, resultando em espécies com maior produção por hectar, mais resistentes a pragas e com aprimoramento genético dos rebanhos bovinos, suíno e avícola.

"A agricultura brasileira é extremamente desenvolvida e não perde para nenhuma do planeta. O produtor, no geral, é top de linha, investe, pesquisa e vive uma busca incessante de tecnologia para poder melhorar o seu desempenho. A pecuária demorou um pouquinho mais para deslanchar até por questões de cultura, mas vem num crescente. Da porteira para dentro estamos muito bem, e não tem muito dinheiro de governo não ", finaliza o consultor. 

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