Opinião: coerente e consequente, Rússia não trai seus aliados

© Sputnik / Dmitriy Vinogradov / Abrir o banco de imagensPilotos militares russos na base aérea de Hmeimim na Síria
Pilotos militares russos na base aérea de Hmeimim na Síria - Sputnik Brasil
Nos siga noTelegram
O Instituto Montaigne, um centro analítico francês, publicou um relatório em que elogia a estratégia implementada pela Rússia no Oriente Médio, que, de acordo com o think tank, está baseada em princípios bastante lógicos.

A Rússia é coerente na política que segue no Oriente Médio, já que colabora com o Governo sírio e não trai seus aliados, como os EUA fizeram em 2011 com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, indica o documento.

Moscou é racional, em primeiro lugar, porque dá o seu apoio a políticos fortes e, na maioria dos casos, laicos, como é o caso do presidente sírio, Bashar Assad, o presidente egípcio Abdulfatah Sisi e o comandante das Forças Armadas líbias, Khalifa Haftar. Em segundo lugar, porque, entre todos os objetivos, o país eslavo escolhe a estabilidade e a segurança.

A Rússia entra em combate sem hesitar e envida esforços para mudar a situação na Síria. No país árabe, as forças russas já recuperaram o controle sobre uma grande parte dos territórios para as autoridades sírias, indica o relatório.

Dia-a-dia na Base Aérea da Rússia na Síria (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
Estado-Maior fala de uma operação única da Força Aeroespacial e Marinha da Rússia na Síria
Além disso, o instituto critica a ineficiente política de influência que a França aplica em todos os países árabes. Após a análise dos laços históricos do país com os Estados árabes, os analistas do instituto afirmam que "o mundo árabe é tão importante para a França como a Europa".

No entanto, a política externa não leva em consideração a opinião dos círculos acadêmicos. De acordo com o Instituto Montaigne, isso ocorre porque a França tem muito poucos 'think tanks' de nível mundial ou investe recursos insuficientes no seu desenvolvimento.

Olivier Hanne, doutor em História e especialista em Islã, comentou a Sputnik França alguns dos pontos destacados no relatório.

Segundo o especialista, a França tem que alocar mais recursos financeiros para atingir os seus objetivos na referida região.

Nos últimos anos, o Governo francês tem diminuído o orçamento para esta região em comparação com o que investem seus vizinhos europeus, nomeadamente a Alemanha. Esta redução ameaça limitar as atividades da França e diminuir a sua influência econômica e política na região.

Hanne disse que Paris deve admitir que a França está intimamente ligada com o mundo árabe e elaborar uma nova estratégia, baseada em uma abordagem realista, que persiga a estabilidade.

Militantes da Frente al-Nusra (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
Síria acusa EUA, Reino Unido e França de só atrapalharem quem de fato combate o terrorismo
"Os estreitos laços da França com os países do Magrebe, a complementaridade mútua de nossas economias, a proximidade linguística e cultural podem fazer com que a França se torne o líder da UE no que respeita à cooperação com os países da região", disse Hanne.

A França deve primeiramente dar a sua contribuição para a eliminação do Daesh, grupo terrorista proibido na Rússia.

Em segundo lugar, Paris deve encontrar uma saída para o conflito na Síria, de maneira a que, no futuro, se consiga parar o surgimento de jihadistas e conter o fluxo de refugiados que se dirigem para a Europa.

O Instituto Montaigne é próximo do presidente francês Emmanuel Macron, pelo que suas opiniões e análises são muitas vezes utilizadas pelo atual Governo francês, de acordo com um artigo publicado pelo Liberation.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала