O que torna os mísseis de cruzeiro russos Kalibr em uma arma sem igual?

CC BY 4.0 / Ministry of Defence of the Russian Federation / Os navios da Marinha russa efetuam o lançamento de 4 mísseis de cruzeiro Kalibr contra as posições do Daesh na região síria de Palmira
Os navios da Marinha russa efetuam o lançamento de 4 mísseis de cruzeiro Kalibr contra as posições do Daesh na região síria de Palmira - Sputnik Brasil
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Ontem (18), o submarino nuclear multifuncional da Frota do Norte Severodvinsk efetuou um lançamento de mísseis de cruzeiro Kalibr desde a posição debaixo da água. O colunista da Sputnik, Aleksandr Khrolenko, analisa o treinamento bem-sucedido e apresenta as principais vantagens do míssil.

De acordo com o colunista, tais ensaios são um exemplo de concretização das Bases da Política da Federação da Rússia na Área Naval para o Período até 2030, assinadas pelo presidente Vladimir Putin em julho.

"A partir de agora, a Rússia planeja fazer frente às ambições expansivas (e agressivas) do Ocidente de forma igual, tanto em terra, como no mar. O respectivo documento interpreta a vontade norte-americana de controlar as águas internacionais como uma ameaça à segurança nacional da Rússia", frisa Khrolenko.

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Apesar da supremacia numérica da Marinha norte-americana, Moscou apela a Washington para uma paridade naval (igualdade) e, com cada lançamento de mísseis, reitera a forte necessidade que seus interesses sejam respeitados, opina o jornalista.

Para Khrolenko, a Rússia está disposta a aumentar sua presença militar no oceano global e sua parcela no comércio global de armamentos navais. Além disso, o sistema de mísseis Kalibr é uma boa escolha em todos os sentidos, pois não viola o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como o Tratado INF.

"O submarino nuclear multifuncional de 4ª geração Severodvinsk e o sistema de mísseis Kalibr de baseamento naval são tecnologias de ponta, e sua posse é uma honra para qualquer país desenvolvido no mundo, reforçando consideravelmente sua soberania", acredita Khrolenko.

Uso em combate

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O míssil de cruzeiro do Severodvinsk atingiu o alvo por um roteiro dificílimo, assinala o jornalista, isto é, por cima dos mares Branco e de Barents, além das montanhas da península de Kola, o que demonstra a mestria excepcional do sistema de navegação autônomo.

De acordo com o jornalista, a gama de mísseis de cruzeiro Kalibr são armas de alta precisão, de baseamento naval, costeiro e aéreo, destinadas a eliminar alvos estacionários terrestres e marítimos em quaisquer condições climáticas, de noite e de dia.

"Desde o primeiro dia de seu uso maciço à distância de vários milhares de quilômetros, os mísseis de cruzeiro de baseamento marítimo Kalibr têm atravessado os territórios de vários países por roteiros dificílimos e atingido os alvos com precisão, permanecendo invisíveis tanto aos sistemas da defesa antiaérea como para a inteligência da OTAN.

Entretanto, um representante do Departamento de Estado se apressou a afirmar: os EUA não queriam que a Rússia transferisse este modelo para o Iraque", explica Khrolenko.

O jornalista sublinha que o que assustou os americanos não foi a possível perda do status de monopolista em tecnologia de ponta, mas as capacidades de combate dos Kalibr, ou seja, um "ataque letal distribuído" que garante a dispersão das armas e sistemas de precisão e navegação e, consequentemente, sua elevada capacidade de sobrevivência.

Particularidades de navegação

A ideia principal de um míssil de cruzeiro é seu lançamento fora do alcance dos sistemas de defesa antiaérea do inimigo (para pegá-lo de surpresa e não submeter o vector a um provável ataque de resposta). Além disso, um míssil deste tipo é capaz de voar milhares de quilômetros a partir de qualquer ponto e alcançar o alvo com precisão.

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O míssil Kalibr, por sua vez, usa os sistemas e algoritmos de navegação inovadores, dado que ele está equipado com um sistema de orientação combinado e autônomo. A direção se baseia em um sistema de navegação inercial que consiste de um altímetro de radar e um receptor dos sinais de satélites (GLONASS ou GPS).

A navegação se efetua por uma trajetória sofisticada, dado que o míssil é capaz de contornar as zonas de defesa aérea ou uma morfologia complexa devido à mudança de rumo. Na fase final do roteiro, o terceiro estágio de combate, a ogiva, se separa e ultrapassa o sistema de defesa antiaérea do inimigo a uma velocidade supersônica, após o que a cabeça ativa de pontaria adquire o alvo.

"Será que isto não é uma obra de arte, um poema e uma sinfonia da poderosa Rússia? Enquanto isso, o dia polar do Severodvinsk ainda não acabou, há novos lançamentos pela frente", resume o colunista.

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