Para que precisa a Suécia, um 'país neutro', de mais armamentos?

© AFP 2022 / JANEK SKARZYNSKISubmarino ORP Sep e navio da Suécia HSWMS durante os exercícios militares da OTAN
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A Suécia planeja aumentar seu orçamento militar em US$ 1 bilhão nos próximos três anos. Mas para que se armam os suecos, que sempre tentaram se posicionar como uma nação neutra?

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Após receber um financiamento adicional, o orçamento militar das Forças Armadas suecas atingirá mais de US$ 8 bilhões. Em 2016, Estocolmo destinou somente US$ 5 bilhões de dólares para fins militares.

Este aumento se efetua para reforçar as capacidades do país escandinavo perante a "ameaça" proveniente da Rússia, informa a agência Reuters.

"Temos observado um crescimento da atividade militar e de inteligência na nossa região. Desta maneira, enviamos um sinal importante ao mundo que nos rodeia", foi assim que o ministro da Defesa sueco, Peter Hultqvist, justificou o aumento financeiro.

A Suécia já deu passos importantes para fortalecer suas Forças Armadas. Em março de 2017, as autoridades suecas voltaram a introduzir o serviço militar obrigatório que tinha sido cancelado há 7 anos.

"A atividade militar da Rússia é uma das razões", explicou na época a porta-voz da entidade militar sueca, Marinette Nyh Radebo.

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Todas as especulações antirrussas começaram a circular em 2013, quando o comandante em chefe das Forças Armadas, Sverker Goranson, alertou sobre a diminuição do exército nacional e do seu orçamento.

Nessas circunstâncias, os militares suecos tentaram se aproveitar da crise ucraniana que ocorreu em 2014 com o fim de melhorar suas posições, opinou o chefe do Centro de Conjuntura Estratégica da Rússia, Ivan Konovalov, citado pela emissora RT.

O principal objetivo da sua estratégia, destinada a obter recursos financeiros adicionais para o Estado, foi inflar o mito sobre a suposta ameaça russa.

O episódio mais famoso desta campanha antirrussa foi a caça ao submarino russo, detectado perto da costa sueca em 2014.

Todos os meios de comunicação locais publicaram informações sobre o "submarino agressivo". As Forças Armadas até lançaram uma operação de busca. Não obstante, esta acabou somente com a descoberta de um antigo submersível russo que tinha se afundado durante a época da Primeira Guerra Mundial.

Outro episódio ocorreu em julho de 2017, quando o submarino Dmitry Donskoi passou no mar Báltico. O navio se encontrava na respectiva zona para participar no desfile naval celebrado na Rússia em homenagem ao Dia da Marinha da Rússia.

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A histeria ao redor dos planos de Moscou permite à Suécia resolver os problemas internos, entre eles o aumento do orçamento militar, opina Nikita Danyuk, diretor adjunto do Instituto de Investigações Estratégicas e Prognósticos da Universidade Russa de Amizade dos Povos.

O investigador, entrevistado pelo RT, considera que esta histeria foi um impulso para o complexo militar do país, que queria aumentar seu orçamento.

Os especialistas concordam em que é a Rússia e não a Suécia que tem de se preocupar com a sua segurança.

Apesar de ser um país que não faz parte da OTAN, a Suécia tem estreitado a cooperação com a Aliança Atlântica nos últimos anos.

Em 2017, Estocolmo celebrou um acordo que permite instalar tropas e infraestruturas da OTAN no território do país. Ademais, neste ano a Suécia restabeleceu sua presença militar na ilha da Gotlândia, considerada como o território-chave para o controle do Báltico.

Os EUA aplaudiram a este passo de Estocolmo, enquanto o comandante das tropas terrestres norte-americanas na Europa, Ben Hodges, declarou que nenhuma ilha é tão importante como a Gotlândia. Ademais, realçou que a Suécia deu este passo perante uma ameaça proveniente da Rússia.

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Danyuk, por sua parte, considera que em caso de um confronto, a Suécia e a Finlândia seriam capazes de bloquear a Frota russa no mar Báltico.

"Neste sentido, seu status de país neutral nos pode causar um mau serviço", sublinhou.

Konovalov, por sua vez, não descarta a possibilidade de na Suécia e Finlândia aparecerem infraestruturas militares da OTAN.

De acordo com o especialista, é pouco provável que isto ocorra mas, se acontecer, seria um grande desafio para a Rússia.

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