Poderão talibãs fazer Trump mudar sua estratégia no Afeganistão?

© AFP 2022 / Noorullah Shirzada Militantes do Talibã
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O movimento radical islâmico Talibã enviou ao presidente norte-americano Donald Trump uma carta aberta apelando a “retirar por completo suas tropas” do Afeganistão, segundo informou a Khaama Press. Poderão os talibãs fazer com que os EUA alterem sua estratégia no Afeganistão? Especialista responde em entrevista à Sputnik Dari.

Soldado das tropas norte-americanas na província de Candaar, Afeganistão - Sputnik Brasil
EUA estarão dispostos a saírem do Afeganistão?
De acordo com a agência, na sua carta os talibãs afirmam que a violência no país "tem tudo a ver com a presença de tropas estrangeiras no país", que qualificam de "forças de ocupação". O movimento radical também acusa a coalizão liderada pelos EUA de ter destruído o Afeganistão, o que fez dele um dos piores países em termos de segurança, economia e governo.

O Afeganistão representa um grande interesse para muitas potências mundiais, como os EUA, os membros da OTAN, a Rússia, a Índia e a China. Mas, do ponto de vista econômico, são os Estados Unidos e outros países da OTAN que gastam mais no Afeganistão, pois se responsabilizaram por ajudar o país islâmico até 2020, lembra o especialista político Ruhollah Ahmadzai.

No entanto, acredita o especialista, a guerra no Afeganistão se tornou uma dor de cabeça para Washington e seus aliados europeus, porque seus planos, feitos há 17 anos, acabaram em fracasso.

Comentando a carta dos talibãs, Ruhollah Ahmadzai sublinhou que esta reflete os desejos do Paquistão e seus serviços de inteligência, mas não os do Talibã, por isso ela não tem grande importância para a Casa Branca.
O que importa mais é que os EUA poderão aumentar de modo significativo suas forças no Afeganistão para combater o terrorismo, ressalta o especialista.

"Se a América o fizer, isso será uma repetição dos acontecimentos sangrentos que tiveram lugar há 17 anos, o que não ajudará nada na luta contra o terrorismo", disse Ahmadzai à Sputnik Dari.

Base aérea de Candaar no Afeganistão - Sputnik Brasil
A quem pertence aviação não identificada no Afeganistão?
Em vez disso, Washington deve chamar à responsabilidade o Paquistão pelos 22 anos de suas atividades de sabotagem, afirma, acrescentando que "todos os países, com mediação dos EUA, devem condenar as atividades criminosas do Paquistão, isolando este país".

Falando da possível conquista do país pelos talibãs, o especialista afirmou que hoje em dia isso é pouco provável.

"A situação político-militar atual no Afeganistão é diferente daquela que havia 17 anos atrás. Nosso exército se tornou melhor e mais forte, nossas províncias se estão tornando cada vez mais seguras. Agora, o nosso exército pode repelir melhor os ataques de grupos terroristas enviados do exterior."

Na opinião de outro especialista político, Nasir Torki, a carta dos talibãs não contém nada de novo.

"Há 15 anos que eles apresentam as mesmas pretensões. Mas não se pode negar o fato de o Talibã ter reforçado recentemente suas capacidades militares. Além disso, eles passaram a ter novos patrocinadores políticos", disse.

Mesmo assim, acredita Nasir Torki, nem pensar que o Talibã possa conquistar todo o Afeganistão. Com um grande apoio material, os serviços de segurança poderão ajudar o governo do país a resolver a situação e a acabar com a guerra, conclui o especialista.

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