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Especialista: 'Crise política impede Brasil de ser mais ativo na questão síria'

© UN Photo / Rick Bajornas / Fotos PúblicasConselho de Segurança da ONU debate ataque dos EUA à Síria
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A crise político-econômica por que passa o Brasil é a principal responsável pelo fato de a diplomacia brasileira não se mostrar mais ativa em relação ao conflito na Síria. Esta é a avaliação de um especialista, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Creomar de Souza, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, avalia a postura dos dois últimos Governos do Brasil diante da gravíssima crise na Síria, um país em guerra civil há mais de 6 anos.

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O conflito, envolvendo o Presidente Bashar Assad e grupos de oposição ao seu Governo, teve início em março de 2011. Em torno de 2015, o Governo sírio ganhou um novo inimigo instalado em seu território, a organização terrorista Daesh (o autodenominado Estado Islâmico). Portanto, a guerra interna da Síria é contemporânea de 2 Governos brasileiros: o de Dilma Rousseff e o do atual Presidente Michel Temer.

O Professor Creomar de Souza, levando em consideração que o maior número de refugiados hoje no Brasil é de cidadãos sírios, analisa a posição dos Governos Dilma e Temer, no âmbito da ONU e de outros organismos multilaterais:

"A postura brasileira, independente dos dois Governos, tem seguido uma diretriz. Guardadas algumas questões retóricas, que se apresentavam mais por elementos partidários de cada um dos presidentes em vista, o Brasil tem baseado seu posicionamento no sentido de construir um olhar de acompanhamento da crise síria e, em segundo lugar, de seguimento das diretrizes das organizações multilaterais (Organização das Nações Unidas e outros organismos). Nesse sentido, tem procurado reforçar uma postura de atendimento às necessidades daqueles que possam ser enquadrados na terminologia de refúgio, acolhê-los em território nacional, inclusive com a tentativa de integrar essas pessoas [refugiadas] à vida cotidiana brasileira."

Qual, então, a diferença entre os dois Governos brasileiros considerados, em relação à Síria?

"Não há, de fato, uma grande diferença", explica Creomar de Souza. "O que há, em algum sentido, é a própria limitação da capacidade do Brasil de desempenhar um papel mais ativo na [situação da] Síria, tendo em vista: 1) a crise econômica, e 2) as dificuldades político-institucionais pelas quais o establishment passa nos dias de hoje."

Creomar de Souza afirma ainda não ter dúvidas de que, se o contexto nacional fosse outro, o Brasil se mostraria muito mais ativo diante da situação na Síria. Mas, com a crise econômica e a turbulência política instaladas no país, torna-se difícil acentuar o papel da diplomacia brasileira diante do conflito.

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Para o professor da Universidade Católica de Brasília, em condições de estabilidade total, o Brasil já deu ao mundo diversas demonstrações do quanto pode ser atuante em graves questões internacionais.

De acordo com a Seção Brasileira do ACNUR, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a Síria é o país com o maior número de refugiados no Brasil. Na sequência e pela ordem, aparecem cidadãos da República Democrática do Congo, do Paquistão, da Palestina e de Angola.

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