Por que Kiev hoje não está interessada na paz em Donbass?

© Foto / Serviço de imprensa do presidente da Ucrânia / Abrir o banco de imagensPyotr Poroshenko, presidente da Ucrânia (foto de arquivo)
Pyotr Poroshenko, presidente da Ucrânia (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Nos dias de hoje, o maior problema da política tanto externa como interna da Ucrânia é a guerra civil com as repúblicas não reconhecidas de Donetsk e Lugansk. Já faz 3 anos que Kiev tem tentado fazer as regiões voltarem ao seio do Estado ucraniano.

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Além disso, há já 2 anos que foram celebrados os acordos de Minsk que pressupõem uma resolução pacífica do conflito, porém, o assunto continua num impasse. O observador da Sputnik, Zakhar Vinogradov, analisa o andamento do conflito e faz suas previsões.

O jornalista destaca que, no decorrer do conflito, a própria Ucrânia evidenciou mudanças internas bruscas. Evidentemente, tanto as mídias, como as autoridades ucranianas, consideram a RPD e a RPL como "formações criminosas" com as quais não se pode negociar.

Vinogradov frisa que, se na altura da eleição de Poroshenko ainda se podia imaginar que este se sentaria à mesma mesa de negociações com os dirigentes das repúblicas autoproclamadas, hoje em dia este cenário já parece completamente irreal.

Segundo, o observador frisa que ao longo dos anos desta guerra, mesmo que pouco enérgica, a Ucrânia perdeu todo o controle e quaisquer formas de cooperação com as populações destes territórios. Como exemplo, o jornalista cita os bloqueios — energético, alimentar e de água — estabelecidos por Kiev e assinala que estes arruinaram a ideia de reunificação com seus atos.

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Além disso, passado todo esse tempo, nas repúblicas já se formaram suas próprias elites, além de relações com seus vizinhos — com a Rússia e com a própria Ucrânia, sendo que com a última estas relações têm um caráter semilegal. Vinogradov destaca: ao longo destes três anos, nas repúblicas já se formaram suas próprias estruturas governamentais e de providência social, exército e instituições fiscais e de segurança.

"Coloquemos uma questão: será que a Ucrânia de hoje precisa de Donbass? Ou, falando de forma mais precisa, em que qualidade?", pergunta o autor.

Nessa sequência, Vinogradov ressalta — se estamos falando de um território que se deve recuperar, é pouco provável que precise, já que "a Ucrânia não tem recursos para sustentar os seus próprios cidadãos".

"De onde virão os recursos para restaurar aquilo que tem sido desmantelado pela guerra ao longo de 3 anos? Na época, o ex-premiê do país, Arseny Yatsenyuk, anunciou a soma necessária para recuperar Donbass — são US$ 100 bilhões. Mesmo que este valor tenha sido exagerado para o triplo, não há sequer 30 bilhões [na Ucrânia]", afirma Vinogradov.

Entretanto, o regresso de Donbass à Ucrânia reforçaria os sentimentos opositores, pois o eleitorado ucraniano seria aumentado com forças anti-Poroshenko, diz o colunista, resumindo: de fato, nem Poroshenko, nem a sua administração, precisam de um Donbass "rebelde" hoje em dia.

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Pelo contrário, se a Ucrânia ainda precisa de Donbass, então será na "qualidade de território rebelde", já que "o presidente Poroshenko, sua administração, entidades políticas e de defesa, todos estão 'formatados' para o combate a Donbass", explica Vinogradov.

Em outras palavras, para o governo de Poroshenko, a situação de um conflito militar permanente no país sem uma perspectiva real de fazer o Donbass regressar à Ucrânia é mais vantajosa, "pois traz seus dividendos e benefícios evidentes — isto é, o apoio financeiro e político por parte dos EUA e da União Europeia", resume o analista.

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