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Estaria o Brasil à beira de uma guerra comercial com os Estados Unidos?

© Charlie Riedel/APSó no primeiro trimestre deste ano, importação de etanol americano cresceu cinco vezes
Só no primeiro trimestre deste ano, importação de etanol americano cresceu cinco vezes - Sputnik Brasil
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Que Donald Trump tem arroubos protecionistas, todo mundo sabe. Esperava-se, porém, que o Brasil fosse poupado das ideias econômicas mirabolantes do estadunidense, que prometia focar suas medidas em desfavor da China e do México. Agora, as coisas não serão mais tão simples: o republicano está de olho no nosso etanol.

O governo dos Estados Unidos começou a fazer barulho por conta do aumento das importações do biocombustível brasileiro feito a partir da cana-de-açúcar. Isso fez com que o Brasil apresentasse propostas de maior taxação sobre as importações do etanol de milho produzido em solo estadunidense.

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O aumento das importações de biocombustível a base de cana-de-açúcar parece ter chamado a atenção do gabinete "America First". No mês passado, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA pediu uma revisão das cotas anuais para combustíveis renováveis, diante da "suspeita" que o etanol brasileiro estava sendo utilizado para cumprir as metas nacionais. O Brasil já retaliou e pode aumentar as taxas de importação de etanol de milho, a base usada no produto estadunidense.

Seria o início de uma guerra comercial? Se for o caso, as primeiras análises dão conta de que sairíamos vencedores, já que o mercado interno é robusto, somado à recente elevação de taxas de importação de etanol na China (uma grande consumidora do produto). Mas as coisas não prometem ser fáceis.

A Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o diretor-executivo da Bioagência, a Agência de Fomento de Energia de Biomassa Tarcilo Rodrigues. De acordo com o especialista, a sobretaxa ao etanol brasileiro foi uma realidade até 2014, motivo pelo qual a indústria americana no setor se consolidou, se tornou a maior do mundo (produz 50 bilhões de litros por ano) e é agora mais competitiva.

"O processo de endividamento das usinas nacionais é muito alto, as taxas de juros são ainda as maiores do mundo. O setor está passando por uma série de ajustes (…). Para renovar as lavouras, é preciso de capital elevado. À medida que você não consegue esse capital a taxas compatíveis com o negócio, há deterioração dos níveis de produtividade e encarecimento do produto. É uma situação inversa ao etanol americano, que tem uma indústria consolidada, amortizada, o custo da energia para transformação de milho em etanol reduziu radicalmente", preocupa-se Rodrigues.

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Ainda segundo Rodrigues, o setor poderia se beneficiar em uma política de redução de emissões de gases poluentes. Comparado à gasolina, o etanol de milho é 30% menos poluente, enquanto o produto à base de cana-de-açúcar é pelo menos 60% mais ecológico. "A modulação moderna é taxar quem polui mais e equilibrar os possíveis gastos com saúde causados por emissão. O que buscamos hoje nos fóruns internacionais é essa capacidade do etanol brasileiro em reduzir os gases poluentes".

Em tempos de Donald Trump, avesso a políticas de controle do clima e entusiasta da indústria de óleo e carvão, essa pode parecer uma realidade distante no curto prazo. Por enquanto, a turma do "deixa disso" já entrou em campo. De acordo com a Bloomberg, o Brasil adiou a decisão da sua câmara de comércio sobre o possível imposto de 20% e lobistas iniciaram o trabalho de convencer o governo americano sobre os danos às relações comerciais entre os dois países.

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