Sanções são 'vício preferido' da Casa Branca que esta não consegue recusar

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O Congresso dos EUA aprovou de forma esmagadora uma série de leis que impõe novas sanções econômicas contra a Rússia, a Coreia do Norte e o Irã. Embora tenha havido especulações de que Donald Trump pudesse vetar as medidas, o presidente promulgou o projeto de lei.

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Em artigo para a edição The American Conservative, Ted Galen Carpenter assinalou que tal decisão reflete "o quanto os apoiantes de uma nova Guerra Fria têm intimidado Trump".

Não obstante, segundo Carpenter, "a renúncia de Trump de usar seu poder de veto não foi necessariamente uma manifestação de covardia política", já que o "entusiasmo pela última iniciativa de sanções encaixou na longa história pouco impressionante desta tática".

Vários historiadores, que estudaram as sanções aplicadas em diferentes épocas e contra diferentes países, demonstraram que, de fato, essas medidas apenas conseguem "obrigar a fazer concessões", mas sempre são inconvenientes e em certos casos, resultam em sofrimentos para a população do país afetado, aponta o autor.

Coreia do Norte

Carpenter recorda que, ao longo das últimas décadas, Washington e seus aliados impuseram sanções econômicas contra a Coreia do Norte com o fim de obrigá-la a fechar seu programa nuclear.

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Entretanto, os repetidos ensaios nucleares, levados a cabo por Pyongyang, além dos seus recentes lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, demostram a "futilidade total da estratégia de sanções", apontou.

Cuba

Os Estados Unidos, até hoje, não conseguiram nada positivo usando esta tática em relação a Cuba. O bloqueio imposto contra Havana em 1962 nunca deu frutos.

As sucessivas administrações mantiveram este enfoque por mais de meio século, até que Barak Obama começou a normalizar as relações com Havana em 2014 (contudo, o bloqueio continua vigente).

Atualmente, o governo de Trump já minou alguns dos avanços da administração anterior no que se trata das relações americano-cubanas, dado que o país continua sendo socialista, com Raúl Castro no poder.

Irã

"Até mesmo as supostas histórias de êxito que os defensores das sanções citam não são muito impressionantes", destacou o jornalista.

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Do seu ponto de vista, o acordo com o Irã é um bom exemplo de uma tática que está condenada ao fracasso.

Assim, embora as sanções "possam ter desempenhado um papel modesto para conseguir que Teerã se sentasse à mesa das negociações", o acordo se produziu somente depois de que os EUA retiraram sua demanda direta para que o Irã capitulasse e se abstivesse de desenvolver qualquer capacidade para enriquecer urânio.

Rússia

A imposição de medidas duras sobre a Rússia é "especialmente preocupante", prosseguiu Carpenter.

O Kremlin finalmente retaliou as recentes medidas restritivas do Congresso dos EUA, ordenando uma redução imediata do pessoal da embaixada americana em Moscou, como resposta a provocações anteriores (realizadas ainda nos últimos dias da administração Obama). Quanto ao último pacote de sanções, a Rússia ainda não reagiu, e não é certo que algum dia reaja.

Desta maneira, as novas sanções antirrussas "acarretaram uma mudança política drástica" na postura do presidente russo, Vladimir Putin.

Droga preferida

"As sanções econômicas parecem ser a ferramenta predileta e habitual no jogo de Washington", assinala.

Não obstante, continua, dada a "onipresente falta de eficácia desta tática", os legisladores americanos devem superar esta obsessão, sobretudo quando as demandas são "completamente irrealistas".

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Deste modo, as sanções não obrigaram a Coreia do Norte a renunciar ao seu programa nuclear e ao de mísseis. Tampouco é provável que estas medidas façam com que o governo iraniano "se torne mais cooperativo".

Ademais, a Rússia não rechaçará a reunificação com a Crimeia na sequência das sanções impostas pelo Congresso.

Desta maneira, as medidas coercivas econômicas "têm qualidade duvidosa de ser provocativas e ineficazes ao mesmo tempo", advertiu Carpenter.

Por isso, este último aspecto poderia causar problemas graves para Washington em numerosas esferas.

"Os legisladores precisam superar seu vício às sanções antes de ser produzida uma tragédia imensa", concluiu.

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