Atitude seletiva: por que EUA 'poupam' setor petrolífero venezuelano?

© REUTERS / Isaac UrrutiaAn oil pump is seen in Lagunillas, Ciudad Ojeda, in the state of Zulia, Venezuela, March 18, 2015.
An oil pump is seen in Lagunillas, Ciudad Ojeda, in the state of Zulia, Venezuela, March 18, 2015. - Sputnik Brasil
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A Casa Branca impôs sanções contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por "minar a democracia" no país. Entretanto, logo se revelou que Washington se absteve de sancionar o setor petrolífero. Especialistas europeus comentaram à Sputnik em que se baseia o enfoque seletivo dos EUA quanto às sanções.

Os EUA anunciaram que congelariam os ativos e as propriedades de Nicolás Maduro, o que na realidade parece ser uma brincadeira, já que o presidente venezuelano não possui nenhuns ativos em território norte-americano, o que significa que esta medida é, na sua maior parte, simbólica e declarativa, acredita o jornalista francês Maurice Lemoine, autor do livro "Chávez presidente!".

"A partir do momento em que Chávez chegou ao poder, os EUA têm tentado pôr fim à revolução bolivariana. Antes de tudo, porque a Venezuela é um símbolo. Ao longo de 15 anos, o país tem exercido uma influência enorme na situação na região da América Latina. No sentido político e econômico, a Venezuela tem sido uma pedra no sapato dos EUA", manifestou.

Lemoine frisou que os relatórios americanos revelam que Washington destinou 5 milhões de dólares ao financiamento da oposição venezuelana em 2017. O entrevistado enfatiza que a Casa Branca tenta apresentá-lo como se financiasse o apoio à democracia e aos direitos humanos na Venezuela.

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Na realidade, isto quer dizer que estes milhões constituíram um investimento nos distúrbios no país sul-americano, resume o analista.

Caso a administração norte-americana comece considerando a hipótese de impor sanções antivenezuelanas no setor petrolífero, estas poderiam ter um efeito exclusivamente negativo em Caracas, considera o cientista político Philippe Sébille-Lopez.

O entrevistado explicou que, para Washington, só lhe bastaria impor sanções contra o setor petroleiro para desestabilizar por completo a situação política na Venezuela, explicou o analista.

"É evidente que ao atacar a indústria do petróleo bruto, Washington faria com que o governo caísse mais rápido, causando uma crise que privaria Caracas da possibilidade de pagar suas dívidas", assegurou Sébille-Lopez.

A importância do setor de hidrocarbonetos para a Venezuela se explica por sua dependência dos mercados de exportações para poder manter sua economia viva.

Não obstante, há um obstáculo para Washington: tais sanções causariam perdas para os próprios EUA, pois o país é um dos maiores compradores do petróleo bruto venezuelano.

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